#day327 – só vive a magia, quem acredita nela.

Há quem passe ao lado de uma vida mágica. Porque não acredita. Que acha que tudo é “ver para crer” quando na realidade “crer para ver” é o que traz o extraordinário à vida. Sempre me atirei de cabeça para o mundo. Sempre me chamaram irresponsável. Sempre me senti julgada nos meus passos. Tive que…

#day326 – Ficar

Adoro ficar. Parada. A sentir a brisa de sons à minha volta. Adoro ver o tempo passar, como se do mais delicioso programa se tratasse. Adoro deixar os pensamentos ir. E observar. Nada. O calor do sol no rosto. O zumbir das horas de ponta. Não há como fingir que a natureza não é o…

#day325 – empty

Esvazio-me por dentro. Já me bastam os dias cheios de zelo. Esvazio-me por fora. Já me bastam as tralhas que dispenso. Esvazio-me de agenda. De compromissos. De medos. Esvazio-me de anseios. E dou espaço ao vazio dos inteiros. Esvazio-me de caras. Sigo descalça pela terra e deixo as roupas velhas para trás. Esvazio-me de hábitos…

#day324 – sou de ninguém

Sou selvagem. Preciso de sair por aí à desgarrada. A criar o mundo que tenho dentro. Pouco me contenho no aceitável. Vivo feliz no inimaginável. E poucos sabem. Que só assim assim me cumpro. Como Mulher. É por isso que ninguém me tem. Têm-me o mundo que me compreende. E só quem me compreende. Verdadeiramente…

#day323 – O mar em mim

Sinto o mar com sinto o coração dentro. Ele pulsa em mim como as manhãs. Que me acordam para as novidades dentro. Tenho a fúria e a calmaria das ondas. Tenho a imensidão e pequenas gotas do mundo em mim. Tenho a arrogância que só um oceano consegue ter e a doçura salgada de uma…

#day322 – a lua e os grilos

Importam-me poucas coisas na vida. Mas a lua e os grilos, sim. Fazem-me falta estas noites quando não as tenho. Estas. De lua cheia. De grilos estridentes. De escuridão brilhante. Preciso destas noites de relento como quem precisa de se alimentar. Parece que deixa de existir o “eu”, quando me passo para a urbanidade da…

#day321 – quando tudo desaba

Deito-me na rede, como se nada estivesse a desabar à minha volta. Como se a realidade do que construí não estivesse a tentar transformar-se fora do meu controlo. Ahhh o controlo. Essa ilusão que não passa disso mesmo. Principalmente para quem se movimenta à velocidade da luz. Ouço os grilos aqui ao lado. Olá vizinhos….

#day320 – quando a vida me obriga a avançar

Às vezes onde estamos é tão bom que ficamos. E ficamos mais um pouco. E vamos ficando por saber tão bem. E assim se estagna no confortável. No delicioso. No de-todos-os-dias. Assim se perde o novo. O improvável. O extraordinário. Mas a vida não deixa. Parar. Permite que se saboreiem os dias. Mas longe está…

#day319 – quando tudo parece impossível

Eu sei que não. Que posso mais do que acho. Que sei mais do que penso. Que vivo mais do que sinto. Impossível é nada, quando se vive num rio. Em curso. E eu. Nada mais posso que seguir os passos das gotas que atravessam o que sou, até me chegar. A mim. E nada…

#day318 – enamoras-me, vida

Às vezes sinto o cabelo ao vento e deliro. Com a simplicidade do luxo que é, ter tempo, para sentir a vida a passar. Enamora-me tudo o que me toca dentro, me mostra beleza, e me encanta ao natural. Não vivo bem com a pressa. A competição. Nem sofreguidão. Gosto de viver com tempo. Para…

#day317 – não sei se consigo

Às vezes encolho-me perante as bênçãos. Acho que não sou capaz de aceitar o que o mundo me dá. Às vezes estremecem-me as pernas. De tão descrente que me encontro, perante. O amor que a vida me dá. Quando somos para o mundo esperamos pouco em troca. Achamos que ganhamos em sorrisos e abraços emocionados….

#day316 – quando não escrevo

Quando não escrevo, não é porque me esqueço. Nem porque as palavras não me saiem. Não escrevo porque me falta o espaço, o tempo e o engenho. Na vida que às vezes me abalroa de novidades. Não escrevo quando não posso ou não consigo. Mas nunca deixo de escrever porque não quero. Até porque o…