#day297 – aventura 

Já não me lembrava de deixar passar as horas. Já não sabia contar os minutos do pôr-do-sol. Já não me recordava que o sal pode arder no rosto. Quando as horas de luz, não são demais. Já não sabia cantar baixinho. As altas conversas da vida não sabem sussurrar. Já não reconhecia o olhar que…

#day296 – só se ama com o coração 

Às vezes insisto em amar com a mente. E tento encaixar os outros na minha definição de amor. Acho, arrogantemente, que a vontade pode caber em caixas e que o desejo não pode escapar do trilho que lhe traço. Às vezes acho que sou superior ao coração, que mando nas suas escolhas. Que sei melhor…

#day295 – guardo-me para o melhor

Não me dou com facilidade ao trivial. Não tenho tempo a perder com o superficial. Centro-me no que me move, apaixona, nutre. Não me perco nos devaneios de que quem precisa de atenção (nem nos meus), nos detalhes que não importam, nem nas tarefas que me levam a lado algum. É assim que me conduzo…

#day294 – viver devagar

A vida apressa-me. Tenho sempre vontade de devorar o mundo. De viver como se não fosse ter mais nenhuma oportunidade de ser feliz, senão hoje. Tenho tanta vontade de tanta coisa que nem sei de onde vem tanta força para o tão pouco que acho que coloco no mundo. E depois vem o mundo diz-me…

#day293 – morro de amores por ti, Arrábida

Morro de amores por ti. Entre os teus verdes e os teus dourados. Morros de amores por ti. Por estes vermelhos da tua argila. E dos brancos das tuas pedras. Morro de amores por ti. Por seres dramática. Verdadeira. Crua. És insana nas tuas exigências. E mesmo assim, tão mãe de todos nós. És implacável…

#day292 – o mundo se move de emoções 

Emoções fortes são como motores. Impulsionam-nos para viver com intensidade os dias. As emoções são embebidas da verdade do momento. São sinceras. E trazem consigo uma carga de tal profundidade que me arriscaria a dizer que são autênticos milagres que acontecem num mundo chão. Sem emoções não há relevo. Não há dimensão. Há uma qualquer…

#day291 – o cheiro a terra molhada

Acordei e cheirava a terra. Molhada. Misturava-se a alfazema e o alecrim. E até as flores dos jacarandás pareciam cheirar assim. Ouviam-se sons de pássaros diferentes. Como se uma nova vida surgisse com a meia dúzia de pingos de chuva da noite passada em Junho. Sabe a inverno. Mas está quente. Húmido. Está vivo. Este…

#day290 – a felicidade constrói-se 

Ser-se feliz não é uma questão de sorte. É uma questão de escolha. Não podemos esperar que a felicidade venha e fique se continuarmos a insistir nas situações e pessoas que nos magoam ou não nos trazem o que merecemos. O “não” é o melhor amigo da felicidade. Essa demarcação de limites que traz saúde…

#day289 – ganhar horizonte 

Olhar para longe inspira-me. Faz-me sair do viés miupe do curto-prazo. Faz-me questionar tudo. Para que tudo ganhe sentido. Perspectiva. E razão.  Provavelmente nunca saberemos se cada um dos nossos passos são correctos, úteis ou com propósito. Mas podemos decidir dar-los por prazer ou por paixão.  Não gosto que a vida me saiba a esforço….

#day288 – prefiro ser sozinha

Não há quem entenda este meu lugar ermita. Esta minha forma de amar no vazio. Não há quem entenda que não me dou por me dar. E que me guardo como uma pérola viva. E me dou, apenas a quem me quero dar.  Não há quem entenda que não podemos ser para todos. Pois nem…

#day287 – quero ser para sempre um segredo

Quero ser para sempre um segredo. Um lugar secreto na memória viva de qualquer um. Quero ser para sempre um segredo. Um lugar seguro para as dores. Um lugar de colo e amores. Quero ser para sempre um segredo. Viver longe do mundo. Numa qualquer duna afastada da estrada. Quero que ninguém me encontre. Nem…

#day286 – aprender a deixar ir

Doi tanto quando precisamos de deixar ir algo que gostamos ou alguém que amamos. É como se nos arrancassem partes de nós.  Há pessoas e situações que estão tão enraizadas em nós que nos confundimos com elas. Achamos que somos também aqueles galhos secos de relação desgastada. Faz-nos falta o colo das lágrimas e a…