#day353 – faço nada

Deixo-me estar. A ouvir o mar. Ouço mais uma vez. Conto as ondas. Desentupo a minha cabeça de informação. Respiro fundo e deixo o espaço entrar. Paro tudo por vários dias. Reservo-me ao direito de descansar. É assim que me regenero. Não pode, ninguém neste mundo, produzir sem parar. E eu sei que o mundo,…

#day352 – Selvagem

Tenho um fascínio por lugares intocados. Onde os elementos circulam ferozes. Lugares em que mares embatem nas rochas. Em que vulcões emergem da terra. E vapores desaparecem no ar. Gosto dos gritos dos pássaros. Dos uivos dos lobos. Gosto dos lugares encantados. Os amores subterrados. E do verde nas encostas. Gosto dos lugares sem gentes….

#day351 – Into the heart (2)

Acordei com o som do mar. Sem fazer a menor ideia de onde estava. O sono profundo tem destas coisas. De nos fazer desligar do mundo. A cama quente. A luz a entrar e eu a resistir a acordar. O cansaço pesa. E eu vim para descansar. Demorei-me mais uma hora ou duas na mezzanine….

#day350 – Into the heart (1)

Emocionei-me. Assim que o avião descolou. Há tanto que queria voar para terras insulares. Senti o futuro a aproximar-se. Ainda há umas horas queria desistir de ir. Tenho sempre esta angústia antes de partir para alguma viagem que no fundo sei que será transformadora. A mente sempre arranja forma de tentar fazer-nos desistir de ir…

#day349 – de… vagar

Haja vagar. Para se encontrar. O mundo. É fácil nos perdermos no urgente. No ram-ram do dia-a-dia. Então e o mundo? E a vida? E o encantamento do olhar de uma criança pelo que é novo? Criar. Fazer. Agir. Não basta. É preciso Estar. Ser. Acontecer. A vida por entre os dedos passa. Quando se…

#day348 – 🌊

Ruge lá fora o mar. Agreste. Há um silêncio que não consigo explicar. Por entre os uivos das ondas na rocha. Consigo eu. Por fim. Descansar. Muito de mim se encontra quando perco o rumo e a direção. Gosto de não ter azimutes. Gosto dos caminhos esguios da solidão. Sou ermita de natureza. Gosto de…

#day347 – wild

Hoje quero cru. Primitivo. Quero terra molhada por entre dos dedos. Quero o cabelo enrodilhado expelindo os medos. Quero a sopa fria. O mar quente. Quero o desejo de voltar a mim. Ardente. Quero o selvagem que de mim não sai. Quero o todo de ter nada. E com isso me contentar. Quero o relento….

#day346 – menos

Menos gera-me liberdade. Gosto de vidas simples. Espaços minimalistas. Branco nas cores. Gosto do vazio de novas possibilidades. Gosto de espaços amplos para percorrer a passos largos. Gosto de luz. Sem paredes. Sem amarras. Não fui feita para muita coisa. Apesar de o muito me perseguir em bênçãos. É no muito que me alimento. Mas…

#day345 – água

Sou quase toda água. Em terra. Já fui muito ar. E continuo a alimentar-me. Das ideias. Mas tenho o fogo. De concretizar. Com o pé no chão e o coração cheio. Vivo no alto dos saltos. E na base do vale. Vivo no solo. Voo acordada. Só não salto para a água. Quando me falta…

#day343 – profundidade

Adoro o brilho das pessoas profundas. Das que não tiveram medo de ir às entranhas. Das que nunca ficaram à porta dos próprios medos. Gosto de almas grandes e preconceitos pequenos. Gosto dos sorrisos rasgados de quem se aceita como é. Adoro o desconforto que sinto quando me ligo a alguém pelos olhos. Que me…

#day342 – toca (recolhimento)

O mundo exige. E eu reservo-me. Ao direito de toca. Nada pode mexer na nossa paz. E é quem faz. Que mais precisa de toca. Pouco em mim cede à pressão. Porque sei que é a respirar. Que me retiro do esforço em vão. Dantes não sabia descansar. Puxava pelas mangas e arregassava os desejos….

#day341 – um Santo Natal

Adoro o Natal. Porque o mundo se mobiliza para se passar tempo em família. Porque tudo fica vazio se não tivermos quem amamos ao nosso lado. Esta altura do ano que puxa à emoção. Que faz a lágrima cair de gratidão. Por nos termos uns aos outros. Não gosto nada dos presentes “obrigatórios” que se…