#day79 – o conto das migalhas

Era uma vez uma menina que adorava receber migalhas. Ela recebia inúmeras migalhas de inúmeras pessoas diferentes. Ela adorava essa diversidade. Ia misturando os sabores das migalhas e ia seguindo por aí grata e contente. Afinal, estava a receber tantas migalhas que sabia que tinha muito por onde agradecer. Tal era o hábito de receber essas migalhas, quando alguma das pessoas a sua volta se esquecia de as dar, ela carinhosamente as relembrava que estava à espera dessas migalhas para fazer o seu dia feliz. Às vezes tinha que ser ainda mais insistente para que todos se lembrassem que os sabores dos seus dias dependiam dessas migalhas e era por isso mesmo que ela era tão feliz e as migalhas continuavam a aparecer de todos os lados com dedicação.

Um dia, ela viu alguém a comer um bolo inteiro. Ficou tão admirada com tal situação que foi falar com essa pessoa que repudiou imediatamente. Mas aquela visão de se poder comer um bolo inteiro era tão descabida que não se conteve em ir falar com a Sra do bolo. “Acha bem estar a comer esse bolo inteiro em vez de espalhar as migalhas por todos? Não se acha vaidosa por estar aí a lambuzar-se desses sabores todos assim, sem pudores?” … “Ohh menina, prove o bolo cmg. O que lhe parece?”. A menina a medo provou um sabor tão maravilhoso que por momentos quase se perdeu em delícias. Ainda fez um ar indignado tal era a aberração da situação mas continuou a provar. Provou, provou e deu por si a devorar o bolo como se não houvessem migalhas para deixar. “Ai, desculpe, devorei o seu bolo! Não foi minha intenção. Mas perdi-me nos sabores tão intensos que provei”…”não tem problema menina, tenho aqui mais. Quer outro? Delicie-se a vontade. Eu estou satisfeita”. Agora sim a menina estava confusa. Ela tinha mais bolos inteiros? Não precisava de pedir uma migalha pq esta Sra se antecipava e oferecia um bolo inteiro? E mais outro se fosse preciso? Que magia era aquela de fazer aparecer bolos? A menina estava absolutamente intrigada… “Pode pfv explicar-me de onde veêm estes seus bolos maravilhosos? Eu achava que só se davam migalhas, não conhecia a sensação de barriga cheia de sabores”…”é tão simples menina, primeiro tem que perceber que o mundo não vive de migalhas, e depois terá que descobrir a sua fonte de bolos. A minha é ali!” Aponta a Sra para uma loja extremamente bem decorada e de onde saiam aromas tão intensos que a faziam sonhar. “Como posso ter acesso àquela loja?”… “É uma loja especial, é preciso entrar com respeito e carinho. Mas vá lá. Descubra a sua forma de ter o seu bolo”. A menina correu para a loja sem saber muito bem como abordar a Sra velhinha que se via por trás do vidro a cozinhar. Durante muitos dias a menina ia lá só para observar a Sra. Havia tanto amor nos seus movimentos que a fazia lembrar a sua avó. Então, um dia quando teve coragem de bater no vidro, “avó, posso entrar?”…”claro querida neta. Vem vem, mas deixa os sapatos a porta. Deixa também essa gabardine, esse cachecol e esse chapéu aí. Aqui dentro não há frio.” A menina estava deslumbrada com aquela sensação estranha de se sentir amada por uma avó que não sabia ter. “Pode ensinar-me a fazer esses bolos maravilhosos?”…”claro! Só preciso que me tragas os ingredientes e ensino-te a fazer tudo o que queiras”. Agora a menina estava petrificada com tal desafio. Ir buscar ingredientes? Cm assim? Ir pedir as migalhas como sempre fazia?. É a avó pareceu ler-lhe os pensamentos “não menina, pega N um pouquinho desta sensação que tens aqui e leva a cada pessoa que encontres que saibas que tem os ingredientes desta lista. Mas olha leva sempre a mais D esta sensação ctg para ofereces a todos os que por ti passem mesmo que não tenham os ingredientes da lista.”… “Ok!” A menina estava entusiasmada. “Posso também levar pedaços deste bolo para deixar algumas migalhas pelo caminho? Tenho a certeza que todos vão adorar!” A avó sorriu e devolveu o pensamento à menina “querida netinha, se dividirmos o bolo em migalhas, ele deixa de ser um bolo e perde a magia de fazer uma barriga feliz por inteiro”. A menina ficou outra vez confusa mas decidiu confiar. E assim, todos os dias saiu por aí a bater à porta das pessoas que sabiam que tinham os ingredientes da lista e começou a interagir com eles não levando migalhas, mas levando aquela sensação quentinha que tinha com a avó. Por alguma magia que ela não percebia, pacotes inteiros dos ingredientes todos começaram a aparecer de todos os lados. As pessoas estavam tão felizes com a presença da menina que continuavam a dar-lhe tudo o que ela precisava de levar à avó. Então a menina todos os dias acordava, ia interagir com as pessoas levando aquele quentinho e entregava tudo à avó que continuava a sorrir e fazer bolos maravilhosos. Os anos passaram e a menina foi-se tornando numa linda mulher que foi aprendendo o ofício. Aquela rotina de vai-e-vem já fazia tão parte de quem ela era que ela já nem se lembrava que queria aprender a fazer bolos com a avó e continuava alegremente a interagir com todos. “Querida neta vem cá. Quero mostrar-te uma coisa.” É a avó começou a mostrar como se faziam os bolos. A menina, agora mulher feita, começou a querer ficar muito mais tempo a fazer bolos em vez de estar na rua. Facto curioso por que apercebeu que na sua vila já não mais passavam por lá invernos rigorosos que fizessem usar os sapatos e gabardine e chapéus se habituara a deixar á porta. Ela sorriu ao perceber isso e continuou a fazer bolos. Por sua surpresa, todas as pessoas com quem tinha interagido na vila tinham seguido os seus passos e continuaram a levar-lhe os ingredientes todos que precisava para que ela própria agora pudesse produzir bolos maravilhosos. Bolos estes que a fizeram esquecem para sempre as migalhas pois se apercebeu que “migalhas não são bolos inteiros. Obrigada avó por me fazeres entender isso. Agora sei o que é ter uma barriga cheia de sabores do mundo” a avó sorriu e prosseguiu com os bolos. Nesse momento ficou tão emocionada que chorou lágrimas em formato de cerejas e cada uma delas foi rebolando até chegar ao topo de cada bolo. A menina-mulher continuou deslumbrada com toda a magia que via passar a sua frente e nesse momento tomou uma decisão e ganhou coragem para abrir as portas da loja com um letreiro que dizia: “aqui oferecem-se bolos com cerejas no topo”

 

Crédito a imagem: autor desconhecido. Quem souber de quem se trata pfv entrar em contacto para que eu possa dar os devidos créditos 🙂

 

 

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