#day124 – o mundo começa em mim

O que me sai de dentro é o que tenho. É o que ofereço ao mundo. É o que já não me cabe. É o que me excede. 

O que me sai de dentro é o que me tem. O que me consome. O que me preenche. 

Tudo o que tenho, tenho-o em mim. Neste cálice meio tosco de vida onde me preencho sem alguém. De onde transbordam as águas que me sobram e onde vivem os peixes da minha alma. 

Não há nada que observe dentro que não seja meu. Mesmo quando não gosto do que vejo. Mesmo quando as tormentas parecem não ter fim. Aquelas horas decrescentes que passam como as marés e varrem para sempre passados de mim. 

As tormentas são como fogos. Fazem arder o que já não importa. Trazem vida a quem precisa e transforma o que já não se conserta. 

E eu adoro as marés em mim. Essa lua que vai e vem, que transporta as minhas aguas como se fossem dela. Que sem pudores atravessa quem sou e adivinha lá à frente para onde vou. Não tem pudores nem cuidados. Apenas arranca de mim os mares para que eu possa navegar por aí sem medos. Para que possa eu conduzir os meus ventos. 

Devíamos olhar para a vida como um espelho. Com a admiração de quem se encontra e tropeça em si mesmo em todas as pessoas e lugares que encontra. A vida é um encanto sem tamanho. De encontros e desencontros só para trazer suspense. Só para trazer história ao acto final. Só para chegar ao fim e poder afirmar de punho na mesa: “o mundo começa em mim”. 

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