#day128 – nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Sinto a vida como um equilíbrio constante. Um fio da navalha que se percorre com atenção e cuidado. Da mesma forma, não acredito em extremos vividos no “carpe diem” inconsciente. Gosto de equilibrar os dias com o que me move. No fundo, gosto de cuidar de mim como acho que se devem cuidar as pessoas: nem deixar os que amamos soltos de mais a ponto de se perderem laços, nem tão pouco enche-los de nós a ponto de sufocar. A vida segue então com essa busca de equilibrio constante que procura presença e discernimento. Pois é fácil nos perdermos nos desejos básicos por estímulos. É fácil ficarmos à mercê de nós mesmos e dos nossos caprichos. Difícil é manter a coerência interna sem fundamentalismos. Difícil é, viver uma vida equilibrada. 

Tenho-me dedicado à terra, e agora regresso ao mar. Como se esse pé cá e pé lá fosse tudo o que preciso para estar equilibrada. Como se a solidez das raízes precisassem de vez em quando de um balanco e de uma onda que me leva para além de mim. Como se esse estar meio cá meio lá, fosse, na verdade, parte da minha essência. Como se me ouvisse a mim mesma a dizer: nem tanto ao mar nem tanto à terra, e no fundo acabasse por viver inteira, na terra e no mar. 

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