#day194 – quando o medo bate a porta

Encolho-me. Digo que não sou capaz. Que não faz sentido nenhum. Arranjo todos os motivos e mais alguns para justificar que aquele salto não vai valer a tempo, que é uma perda de tempo e que simplesmente não vai resultar. Encolho-me de novo. Finjo que não é nada comigo. Finjo que tenho coisas mais importante para fazer. Que o mundo do outro lado é que faz sentido e que eu, nada posso. Que tudo tenho para ficar a margem da situação, e que se for, será em vão. 

Depois paro. Olho para dentro. Calo as vozes. Quem manda na minha cabeça sou eu. Olho fundo. Deixo-me estar. Mais um pouco. Vou ainda mais fundo. Não forço. Deixo que a poeira assente. Que a mente clareie e que a vida relaxe. O silêncio entra. O passo atrasa. O peito enche. O medo solta-se e o espaço expande-se. Vazio. Profundidade. Espaço. 

E depois aparece. A resposta mais clara. Mais branda. Mais certa. O sussurro de dentro. A voz que me fala. Baixinho. Aquele sopro que já conheço bem. Que me fala como se  eu ainda fosse criança. E me diz: vai. Não penses. Segue. E eu vou, sem pensar, seguindo. O amor que me vai dentro. A confiança que vem não sei de onde. E a brisa que me renova dentro. 

“Coração, fala-me mais alto para que eu fique mais certa”. “Bárbara, a certeza não importa. Importa sim, a verdade dos teus passos. Internos. É a verdade que acerta.”

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