#day221 – Não podemos ser escravos das coisas que temos. 

É preciso ganhar consciência do que já não queremos em nós. Do que nos pesa e do que não queremos repetir. Saber largar é fundamental para gerar espaço e criar ambientes limpos onde o novo se irá instalar. Costumo começar pela casa. A organizar e manter apenas o essencial. Para que o que tenho não me pese.
Não podemos ser escravos das coisas que temos. 

Há uma diferença grande em ter algo por conforto ou prazer. Ou ter como parte da identidade. Porque há identidades que se constroiem em torno de coisas. E se por algum motivo essas coisas deixam de existir. A tal identidade perde-se, e a vida fica sem chão. 

Ora, se a vida se assentar nas coisas que temos, estaremos só a disfarçar uma necessidade de reconhecimento ou um medo de desvalorização social. E deixaremos assim de viver o nosso sonho pessoal. Porque se há coisa difícil na vida, é ter coragem de viver para além do olhar dos outros. É preciso uma grandeza de espírito incalculavel para se saber elegantemente largar a fachada e o estatuto que as coisas nos dão. 

Mas, não há mal nenhum em se ter o que se quer e o que nos faz bem. Acredito que é importante se ter, por exemplo, um carro confortável e seguro. Uma casa à nossa imagem. Items pessoais que elevem o nosso ânimo. Pequenos grandes luxos que nos fazem felizes todos os dias. A vida também se vive pelas coisas que nos rodeiam. Apenas não nos podemos tornar escravos delas. O problema está quando geramos tais padrões de vida a ponto de não podermos viver os nossos sonhos porque temos que trabalhar para pagar contas. As contas das coisas que decidimos comprar e manter. Essa é a maior infelicidade que podemos ter. 

Não podemos gastar a vida para comprar coisas. Comprar coisas e deixar de viver. 

É por isso que nunca comprometo a minha liberdade. Que nunca me torno escrava do que tenho. E que nunca crio uma identidade em torno de nada que não a minha essência. Não procuro o reconhecimento externo pq escraviza. Não julgo o comportamento alheio porque cada um sabe de si. 

Importam-me sim, as decisões que tomo para elevar a minha verdade e liberdade. E ninguém entende algumas tomadas de decisão drásticas e simplistas que muitas vezes tomo. Mas é na simplicidade voluntária que encontra a verdade, e mais ainda a liberdade. Porque não temos que ser reféns do mundo. Mas também não temos que viver em celibato mórbido de coisas. Porque as coisas existem para nos servir. Não o contrário. 

E, às vezes também encontro uma hipocrisia na simplicidade disfarçada de “espititualidade”. E um pudor em se ter e em se ser com conforto. Como se viver não pudesse ser luxuoso. Pois relembro que o luxo não tem pecado se não existir na luxuria. E a simplicidade é libertadora apenas se não esconder por trás a avareza. 

É nesta linha ténue que vive a felicidade. É neste caminho do meio que a paz de espírito existe. E é neste trilho simples e glamoroso que vive a glória. Glória de quem sabe viver luxuosamente com nada. E quando o nada é tudo o que precisamos para ser felizes. 

Que se libertem as amarras das coisas. Mas se mantenham as (coisas) que nos fazem felizes. E se aproveite a virada do ano também para uma apreciação do que se tem. Agradecer o que nos gera alegria. Libertar o que nos pesa. E procurar formas de deixar entrar o novo que amamos ou queremos amar. A vida é demasiado preciosa para se gastar com coisas, e deixar de se amar. 💕

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