#day237 – não queiramos ser perfeitos, ou viveremos à margem de quem somos para sempre

Há dois tipos de perfeição. A perfeição crua de sermos quem somos, e a perfeição que vem da pressão social de termos que ser o que esperam de nós. E se a primeira deve ser abraçada com carinho, já a segunda deve ser largada e posta fora de nós. Ora, nunca vamos ser exactamente o que esperam de nós, nunca vamos “acertar” 100% no esperado e muito menos vamos estar no melhor de nós sempre. É preciso muita paciência e carinho pelo que somos. E é brilhante termos a coragem de percorrer o caminho a olhar em frente e deixar de lado alguns olhos duvidosos que possam estar a observar-nos com cepticismo. Cada um sabe de si. E eu, acredito vigorosamente na capacidade que cada um tem de se transformar, corrigir, e crescer. Muitas das vezes são as pessoas mais auto-conscientes e empáticas que mais se penalizam quando falham, quando não estão à altura ou quando simplesmente não conseguem mais. Pois bem, a esses heróis deixo a mensagem de que somos humanos. E falhamos. Muito. Falhamos tantas vezes quantas as necessárias para finalmente aprendermos e seguirmos. E falhar é duro, mas necessário. 

É por isso que é tão necessário rodearmo-nos de pessoas que nos amem mesmo e sejam capazes de nos suportar também, nas nossas falhas. É fácil apontar o dedo. Difícil é estar lá para o outro. Deve ser por isso que hoje em dia tantas relações falham. Pela falta de tolerância para com o outro. Estamos numa geração de botões on-off e aprendemos que descartar é mais fácil do que concertar. E fazemos isso com os outros da mesma forma que fazem connosco. Por que já ninguém se tolera de forma crua. Com ciclos, emoções e realidade de sentimentos. Há um excesso de informação constante, que distrai do essencial e desvirtua a realidade. Parece que a fachada “zen”, “calmaria” e “constância” que se busca para “equilibrar os excessos sociais de hoje em dia, fez apagar a memória dos gloriosos ciclos naturais. E passou-se a viver com mais importância dada ao parecer do que ao ser. E digo isto na perspectiva interna mesmo. Quantas pessoas se deixam livremente ser quem são? Com as suas dúvidas, momentos de confusão e inseguranças. Parece que há personalidades que se perdem porque o próprio indivíduo não se deixou ser, com medo de parecer mal, mostrar-se fraco ou inglório, ou medo de perder alguém. E depois, vive infeliz para sempre debaixo da capa que não consegue retirar, para evitar para sempre o frio, sem saber que o conforto dessa proteção retira também a experiência do calor no rosto, da beleza da vida e da gratificação que se sente quando conseguimos ser autênticos e únicos. A vida precisa de ser vivida de forma virgem, curiosa, solta. Nao precisamos de ser cópias uns dos outros só para sermos socialmente aceites. Não se pode amarrar ao pé da cama as experiências só porque “parece mal”. É por isso que admiro tanto gente que sabe ser o que é. Com tudo o que isso implica. E gerar a auto-estima necessária para tal, é obra. E obra não significa muro de proteção. Não falo das pessoas que impõem a sua personalidade nos outros para “serem quem são”. Falo de quem gentilmente se assume como é e deixa livremente sair da sua vida quem não os compreende. Porque compreensão é uma das chaves da felicidade. E começa dentro, quando cada um de nós, começa efectivamente, a compreender, e respeitar, quem verdadeiramente, é. 💕

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One Comment Add yours

  1. Perfeito, sem trocadilhos!

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