#day239 – what’s the point? 

Às vezes pergunto-me o porquê da forma como vivo. O quanto me entrego aos projectos, e o quanto me sacrifico pelo “bem maior”. E depois pergunto-me, quem seria eu se não me desse ao mundo assim? 

Quantas vezes não penso que seria tão mais fácil ter um emprego estável, um horário com princípio meio e fim, um salário no final do mês. Abdicar desta auto-motivação constante para fazer acontecer coisas que ao início ninguém percebe para além de nós. Este motor sempre a rolar que nunca descansa e cansa. Mas nunca se deixa morrer na praia.

Viver por uma causa é mais difícil do que se imagina. É dedicar uma vida a dar passos no incerto, a ser incompreendida nas ações e a ser alvo do olhar de esguelha dos céticos. É preciso uma coragem enorme para continuar. Mas mais do que coragem, é preciso um amor enorme pelo que se faz. Dedicar uma vida a uma causa é agir como se não houvesse outra opção possível do que desenvolver aquele caminho em que acreditamos. Como se não houvesse margem para falhar, porque o sentido de missão traz consigo o peso da urgência. E o tempo urge, para a contribuição real. Quando se descobre o nosso caminho, fica-se com pressa de fazer acontecer. Porque a energia entra de tal forma que não há volta a dar. Alimenta-nos. 

E, muitas vezes me perguntam “o que ganhas com isso?” “Nada” ganho a oportunidade de ser feliz com o que sou. “E como pagas as contas?” Isso não importa. O valor chega. Porque o que não sabe quem não confia no caminho, é que há um acordo implícito entre as partes “cuida do mundo que o mundo cuida de ti”. E nunca me falta nada. E não me falta nada porque não vivo de excessos, coisas nem prisões. Vivo da liberdade de ser quem sou e me poder dar ao mundo. E vivo com conforto. E o resto não importa. Mesmo quando os meus passos são duros, difíceis e sombrios. Porque os tenho mais deles do que desejaria. Mas a nenhum pioneiro chegou um caminho traçado, limpo e luminoso. É o amor pelo caminho que vai limpando o medo e a escuridão. E vai arejando a trilha para quem se seguir atrás.

É uma confiança cega. Porque quem vai à frente não vê para onde vai. Só segue o coração. E não olha para trás. Segue. Passo a passo o que a intuição lhe diz. E segue na mesma, mesmo quando doi, fere ou confunde. Porque os caminhantes sabem que amar traz desafio e nos faz crescer e amadurecer. Ninguém ama a fundo sentado no parapeito da vida como espectador. Os amantes sérios são protagonistas das suas histórias. E fazem acontecer capítulos que nem eles sonhavam criar. A história vai-se mostrando e o caminho vai-se fazendo. E às vezes muita coisa fica para trás. Pessoas que não acreditavam em nós, projectos que não faziam mais sentido ou lugares que perderam o encanto. Mas fica a memória do que nos tocou. Onde nos tocou e como. E isso é sinal de vida bem vivida e cheia de momentos para relembrar. Abre-se espaço para novas pessoas, projectos e lugares, e a vida vai-se revelando evolutiva, amorosa e rica. 

Valham-nos as experiências de uma vida pelos caminhos certos, para que possamos olhar para trás e dizer: valeu tudo mesmo, a pena. 💕

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