#day245 – o outro lado do amor (II) 

E então perguntam-me “se disser Não ao outro, amo menos por isso?” Não. É preciso uma coragem enorme para se conseguir dizer que não. Principalmente a quem amamos. Mas é na assertividade que vive a força de uma pessoa feliz. E dizer não implica conhecer a fundo os nossos próprios limites. Nem todos se amam assim. 

Nas minhas caminhadas pela floresta, sempre observo a “mãe Terra” que no fundo é para mim o exemplo máximo de suporte e amor incondicional porque tudo sustenta. Mas reparem, o elemento terra é o mais denso e com mais limites de todos. Curioso, nao? Não podemos trespassar as árvores, e a superfície da pele ou dos troncos define o início ou fim de um determinado indivíduo, e na verdade são os limites desses limiares físicos que melhor definem a individualidade de cada um. E mesmo se quisermos ter um discurso “somos todos um”, o que é certo é que esse “um” é composto por “vários”. E esses “vários” são, felizmente, elementos distintos e bem definidos. 

Tudo isto para mostrar que aqui na terra, na experiência humana em que vivemos, o mais importante é entender o que somos e do que somos feitos. E estes limites de que falo, são os que trazem magia à existência individual de cada um. É este privilégio de podermos experimentar ser o que quisermos, que só existe se entendermos que ter e impor limites é saudável para todos. E traz tanta transparência e honestidade, que só por aí são uma benção que aprendemos a construir à nossa volta. 

Acho que algures nas últimas décadas nos perdemos no discurso “new age” acerca do “amor incondicional” do “om shanti shanti” do “namaste” de forma leviana, sem tentarmos perceber a fundo tudo o que essas correntes nos querem verdadeiramente ensinar. E à superficie da conveniência, nada se aprende. Por isso há mais crianças mimadas que nunca, adulescentes que exigem o mundo aos pais, e adultos profundamente infelizes sempre que a vida não lhes corre como gostariam. Tudo isto porque nos esquecemos que o amor vem com firmeza. Porque algures no nosso caminho não tivemos a assertividade de um pulso firme a nos ensinar onde termina a nossa liberdade e começa a do outro. Da mesma forma que a delicadeza de um aconchego vem com a estrutura da mão que acarinha. E que de tudo o que fazemos, só podemos ir até onde conseguimos, e só devemos ir até onde queremos. Porque às exigências dos outros devemos nós colocar barreiras, e ao que flui em nós, devemos todos seguir em paz. Porque onde a vida flui, limites não são necessários. É amor puro e inesgotável, pela vida que criámos e agora vivemos, em liberdade total. Só porque entendemos os nossos limites, sabemos colocar limites aos que nos rodeiam, e assim gerir esta vida comum a que chamamos casa, vivendo literalmente, felizes para sempre ❤

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