#day266 – preciso de chegar a lugar nenhum

De repente fez-se branco. Nulo. Vazio. E a voz já nada diz. E o pensamento já não voa. E a dor já não arde. 

De repente fez-se Lua. Cheia. Quente. E a canção já se sente. E a voz já não comanda. E o amor já se expande. 

É neste lugar nenhum que a vida vive. E mora. Com as suas entranhas até mais não. Pois sim, a vida mora em lugar nenhum. Mora no tempo que se tem para mais um deleite ao pôr-do-sol. Mora no latejar das cortinas que se abrem para deixar entrar o cheiro da azáfama dos pássaros ao final do dia. Mora no silêncio da verdade de quem, em tom de inocência, insiste em não se deixar corromper pelos dias. E se deita com os grilos, como se os seus “latidos” fossem tudo o que de mais precioso há na noite. Mora no prazer do sono. Mora no paladar da primavera. E no entender dos sonhos. Mora na meia-estacão das flores. Mora no conforto das cores. Mora nas memórias do rio. E nas saudades do lago. Mora nas ideias. E na vontade de provar os dias. Mora em lugar nenhum. Mas mora onde acontece. E é por isso, que preciso de lá chegar. ❤

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