#day279 – “vou-te dar um desconto por seres mulher e estares com o periodo”

Ouvi hoje eu algures ao longe… e pensei: 

Que desconto precisa uma mulher que sabe o que vale? Que desconto precisa uma mulher que não tem complexos de inferioridade nem de superioridade? Que desconto precisa uma mulher que não tem tempo a perder com machistas? Que desconto precisa uma mulher que nem entende de onde vem tal comentário? E que desconto precisa uma mulher que sabe virar costas a situações destas e seguir o seu próprio caminho sem medo? 
Expliquem-me porque não percebo. De onde vem o “vou-te” presunçoso a achar que lhe foi pedida alguma opinião? E de onde vem tanta ignorância e esquecimento de que é por haver “período” que há vida? 

Há imenso tempo que não me fazia a vida cruzar com tal rude situação. Na minha bolha, os homens tratam bem as mulheres. Veneram a sua capacidade de adaptação emocional e encaixe das tarefas humanas. Ajudam-nas a passar pelos seus ciclos e não perdem a sua masculinidade por isso!

Mas a permanência deste tipo de comentários nos dias de hoje, não é culpa dos homens ignorantes que os proferem, mas sim das mulheres que se calam quando os ouvem. E deixam que as tratem sem a dignidade que merecem. Que não tem a coragem de dizer “não” e “basta”, com medo de serem acusados de “loucas”, “inseguras” e “voláteis”. Pois queridas mulheres que se esqueceram da magia de se ser mulher: só está nas nossas mãos nos darmos ao respeito. Colocar limites na forma como nos tratam. Porque para os homens ignorantes e machistas seremos sempre exageradas. Pois sinceramente, são pouquíssimos os homens que verdadeiramente sabem amar e honrar uma mulher. E vêm qualquer mulher que sabe dizer “chega”, como uma ameaça. Os homens em geral não estão habituados a mulheres independentes. Só conhecem as submissas. Que aceitam tudo por um anel no dedo e um dia de grinalda para a foto. 

É por isso que as independentes, precisam de criar o seu espaço saudável sem se tornarem também masculinas, directivas ou femeninistas fundamentalistas que “lutam” pelos direitos das mulheres e no caminho se tornam também masculinas e duras sem se aperceberem. 

Ora, ser mulher é ter aquela doçura no olhar. Aquele fervor no coração. Aquela intensidade no toque. E aquela capacidade de cuidar que só uma Mulher inteira sabe ter. Ser mulher não é subir no salto alto para olhar os outros de cima. É sentar no chão para ouvir uma criança à sua altura. É suspirar com um peito cheio de sonhos. E amamentar a vida de esperanças. 

Ser mulher é trazer beleza ao mundo. É encantar com os nossos movimentos redondos. É expressar a delicadeza da vida. É gerar crianças para o mundo. E este lugar é nosso e ninguém nos tira. Nem uma sociedade masculina. É por isso que o equilíbrio é tão necessário. Através da aceitação, por nós mulheres, da nossa própria doçura, ciclos e beleza. Independentemente de todos os resticios de homens das cavernas que por nós passam. Somos nós que marcamos o nosso lugar. Aceitando quem nos trata bem, e afastando-nos da ignorância dos outros. Porque quem tem este tipo de comentários nunca saberá cuidar bem de uma mulher. E se não soubermos cuidar uns dos outros, que estaremos nós a fazer enquanto sociedade? E que legado estaremos também, a deixar aos nossos filhos? 

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