#day291 – o cheiro a terra molhada

Acordei e cheirava a terra. Molhada. Misturava-se a alfazema e o alecrim. E até as flores dos jacarandás pareciam cheirar assim. Ouviam-se sons de pássaros diferentes. Como se uma nova vida surgisse com a meia dúzia de pingos de chuva da noite passada em Junho. Sabe a inverno. Mas está quente. Húmido. Está vivo. Este chão calçado de pontos verdes. Este agridoce que vai equilibrando a vida. Esta calma que vem com a água depois de dias abrasados pelo verão. Baixa o ritmo. Baixa a vontade. Impera a verdade. Esse tempo que se tem para olhar para dentro. Em silêncio. Contemplação. E admiração. Há alturas em que só apetece calar o reboliço. E ficar a sentir o cheiro da terra temperada. Adoro dias de inverno no verão. Daqueles onde cabem mil pontos de exclamação. “Pequenos”, reduzidos à simplicidade de se estar apenas a ver e a sentir. Esta cor. E este cheiro a terra molhada. ❤️

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