#day354 – prefiro zero “likes”

Preocupa-me o consumo desenfreado de informação. De likes. De fotos “inspiradoras”. De recados e alertas. Que as redes sociais nos dão. Preocupa-me a dependência que cria. O ecran sempre presente. Sendo que a verdadeira presença. Permanece distante.

Procura-se na “partilha social” o conforto da apreciação virtual, porque parece que já não somos capazes de nos bastarmos a sós. Porque os detalhes de vidas bem passadas ao relento não chegam. Porque as carreiras têm que ser brilhantes e os filhos impecáveis. Porque as aparências são precisas para nos iludirem. Simplesmente porque achamos que se virtualmente a nossa vida for perfeita, a real também o será.

Enganos.

Gostava de ter a liberdade de poder escrever por mera expressão pessoal. E que me seguissem apenas os sinceros empáticos com os meus passos. Ninguém precisa de seguidores fantasma ou céticos. E muito menos precisamos do controlo dos algoritmos surreais. Se por um lado é um conforto ir seguindo amigos de infância que de outra forma nada saberíamos a respeito, por outro, fica difícil manter uma conversação relevante com o mundo quando mais parece que é mais importante seguir as férias do outro do que debater soluções reais para a Humanidade.

Sou uma optimista pelo mundo. Vejo nas redes uma forma brutal de elevação de consciência pela partilha democrática de informação. Por isso o faço. Mas sei que o problema está nos excessos. E na escassez de amor próprio pela vida em si mesma. As redes viraram um palco de lamurias e julgamentos constantes. Ou de enaltecimentos pobres de espírito. E mesmo quando deixo de seguir tudo e todos os que não me interessa ver, e peço para que me retirem dos seus feeds a quem a minha palavra e imagens não interessam, sei que a limpeza não basta. Perde-se muito tempo a filtrar o essencial. Perde-se vida a postar e a fazer scroll na vida dos outros. Como se fosse mais importante que a nossa. Só porque um tal algoritmo comercial decide o que devemos ver.

Por isso às vezes não escrevo. Não falo. Não exponho. Prefiro o toque. O olhar e a fala. Prefiro a sinceridade da troca cara a cara. Pele com pele. E quase me revolto com a exposição social. Por isso prefiro zero likes. Numa tentativa de lixo social zero. Eu que sou uma ecológica de alma. E uma simples seguidora da minha mãe Terra.

Não preciso de likes neste post. Nem que leiam. Nem que opinem. Gostava apenas de me poder deixar crescer. No meu mais íntimo espaço. Por mera e sincera. Expressão pessoal.

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  1. sandra diz:

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