Daily Life

#day365 – Sem liberdade não há magia.

De tudo o que vivi, só me senti em pleno quando percorri a liberdade. Anos a fio em viagem, sem saber o dia de amanhã. Na mala a incerteza e o gosto de não ter para onde me recolher. A vida entregue ao caos. À desordem do encanto do novo. Porque só quando largamos a velha forma agarrar a vida, é que pode ela acontecer-nos sem pesar.

Agarrada ao resultado, nunca deixei a surpresa entrar. E sem espaço para surpresas, como pode a magia ficar?

Há na vida um fluxo que nos move, que nos leva onde devemos estar. Talvez por isso tantos se percam no controlo. Na grande necessidade de se prender a um lugar.

A escravatura está dentro. Esta moderna visão de auto-controle. Quando tudo o que precisamos é deixar que a liberdade nos aqueça, para que possa a magia dentro de nós, celebrar.

(E assim se cumprem 365 dias de blog. Encerro assim este ciclo. Prometo em breve relançar. ❤️)

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#day364 – viver

Ás vezes gostava de ter uma família. Outras, não trocaria a minha liberdade solitária por nada. Às vezes gostava de ser mãe. Outras, amo viver de coração solto a pertencer a ninguém. Às vezes gostava de me apaixonar por alguém. Outras, adoro andar simplesmente apaixonada pelo que sou. Às vezes gostava de passar a vida a concretizar tudo o que vem. Outras, só quero não ser, destino de alguém.

Fui aprendendo que a vida tem as suas fases. E que precisamos olhar para ela fazendo as pazes. E retirar a ânsia pelo que ainda aí vem. Fui aprendendo a viver cheia do que tenho. E a relaxar nos objectivos futuros. A compreender, que a vida, é tudo o que se tem. Se passar os meus dias agarrada ao que não gosto, a gastar as horas a sonhar com o que não posso. Perderei para sempre a oportunidade de me encontrar agora. E a viver com intensidade. Tudo o que o que me rodeia e se me dá.

Não há dias felizes sem a certeza de que foram escolha nossa. E que nada lá à frente pode ser tão doce como o agora. Aqui, existe o feliz. Aqui vive o melhor que a vida nos dá.

Por mais sonhos que ainda tenha pela frente, prefiro viver os meus passos com a certeza de que são meus. Que todos os dias fiz o que amava. E que “lá à frente” vai longe demais, para deixar escapar o agora.

Então. Saio para o mundo e vivo. Porque é de vida, que o mundo se faz.

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sigo o mapa que o meu coração me dá

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Se há coisa que aprendi a fazer foi seguir o meu coração. Esta confiança que se entrega ao caminho. Esta voz que nos canta dentro. Esta magia que acontece quando deixamos acontecer. Este mundo infinito de possibilidades que nos surgem só porque dissemos “sim” ao coração.

Mapa Livro

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#day363 – untamed

Sei que confundo, baralho, receio. Por ter em mim um rio selvagem. Sei que me incompreendem. Me desentendem. Me desacreditam. Por nunca ter aparado as minhas margens. Por não ter limado as arestas. Por seguir inteira e convicta por aí.

Nesta rebeldia em que me revejo. Manter-me intacta é como me vejo. Para além das obrigações dos outros. Em todo o branco que há em mim.

E depois choro por que não encaixo. Mas quem genuinamente redondo encaixa no meio de tantas vozes quadradas? Tenho na individualidade o refúgio para os dias mais turbulentos. Pois é a acreditar no que sou que gero a minha própria âncora. Não vá a tempestade do outro interferir em mim.

Não sou de águas paradas. Tenho um ímpeto de revolução, que tento levar com toda a doçura que consigo. Mesmo quando a revolta pelos erros da humanidade me arranham dentro. Pois não consigo conter, o que acredito, em mim.

É difícil desbravar sonhos no meio de tantas pessoas agarradas a mágoas. Não por mim, que sigo leve. Mas porque acabo por sofrer com a prisão das mesmas.

Talvez por isso seja apaixonada pela floresta. Pelo alto mar. E pelos penhascos. Amo ser vertiginosamente selvagem. Arrogante até no que me faz pura. E não me deixar corromper pelos limites. E muito menos cair em escravatura.

Não quero viver numa sociedade domada. Pelos caprichos e ambições de alguns. Quero criar o mundo que devia ser. Não nos tivéssemos nós esquecido do nosso lado selvagem. Aquele que é Natureza em si. Aquele que se rasga de vida. Se encontra nos princípios. De um ecossistema conjunto que é o nosso.

Sofro com a Humanidade perdida. Mas não me perco nas lágrimas. Porque me levanto sempre com a garra de fazer acontecer. Dia após dia. Uma vida selvagem.

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#day362 – obrigada por me afastares de ti.

Há tantas pessoas que perdemos pelo caminho. Que achamos insubstituíveis. E que não sabemos que precisamos de deixar ir.

Muito do que tenho aprendido pelo caminho é que quando se cumpre a missão da vida da pessoa na nossa, ou saímos nós, ou ela sai. Há uma sensação de perda. Mas o que se devia sentir era vitória e gratidão. Porque um passo foi dado de superação.

Sei que é difícil entender, principalmente quando essa pessoa nos faz falta e não entendemos porque já não está connosco. Mas a verdade é, que no fundo, tudo se cumpriu como tinha que ser. E não há mais nada a fazer a não ser celebrar a vitoria que só se torna visível porque o espelho deixou de existir. Isto porque todas as pessoas à nossa volta espelham partes de nós. Por excesso ou por defeito. E nada podemos mudar nisso. Apenas ter uma humildade enorme para olhar para dentro. Cumprir a nossa parte, deixar ir o que não se importa connosco e seguir em celebração pelo feito. De termos conseguido seguir em frente, sem que a falta nos moa. Para que possamos encontrar lá na frente. Tudo o que nos basta.

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#day361 – solitária

Tenho andado por aí sozinha. A vaguear entre as minhas filosofias e ações. Sou de poucos amores por entre as multidões. Não que as pessoas não me apaixonem. Mas que por entre as milhares de opções, sou de me dar à diversidade das pessoas simples. Das que não têm manias. Das que até no olhar só emitem presença. Das que me fazem sentir em casa.

Parece que o mundo agora não tem tempo para namorar a vida. Casados de longa duração sem chama. E eu que sou de me encantar pela vida. Digam o que disserem dos grandes feitos, o que me move são detalhes pequenos. A curiosidade sem ambição. A clareza de sentido. Gosto do rumo das pessoas inteiramente sinceras. Dessas poucas que se vão cruzando por mim. Pelo meio de todos os que me movem. São poucos a quem quero entregar. Tudo de mim.

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#day360 – Liberdade é o Ouro moderno

É difícil hoje em dia, encontrar lugar e tempo para descansar. Parece que cultura de se estar ocupado é mais forte. Mais importante. Mais aceite.

Então e o encanto? O tempo que é preciso para namorar o mar? Quando me “apetece” e não quando “posso”. Porque devia poder sempre. Que me apetece. Estar.

A ligação ao mundo tem que ser feita pela presença. E não há presença que resista. À imposição da pressão.

Ai se eu pudesse relembrar o mundo que é preciso descansar. Que é preciso flexibilizar uma vida para haver mais sentido.

Ai se pudesse eu entender isso também a fundo e nunca mais me deixar enganar. Pelos caminhos do que “é suposto”. E deixar-me apenas levar.

Sou tanto tanto pela liberdade. Pelo amor profundo pelas coisas. Pelo tempo para respirar. Não há qualidade sem margem. Nem margem sem descanso. E acho que é por isso que não me canso. De no meu mundo. Parar. Parar.

Hajam dias que se façam como se querem. E pessoas corajosas para enfrentar. Quem não vê que o mais importante é. Ter liberdade para se expressar.

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#day359 – comum dos mortais

Adoro o banal em mim. O despreocupado. As manhãs demoradas. O café de todos os dias. O despertar lento que se rebola na cama. Adoro o vazio de dias cheios de nada. Adoro o vento que não sopra. Adoro quando tudo é igual e comum nas alvoradas.

Adoro os detalhes mais óbvios. As pequenas coisas de todos os dias. Adoro clichês e lugares comuns. Fazem-me saber viver. Feliz.

Adoro as pessoas brandas de si. Que se adoram simples. Por aí.

Adoro saber que preciso de muito pouco para viver a vida com significado. Não fora a vida um privilégio. Em si. Em todo o lado.

Parece que as pessoas se esquecem que para viver bem basta agradecer e, repito, viver. Todos os dias as banalidades. Aproveitar o que tomamos por garantido. Pois é aí que mora a verdade. Para viver, basta-nos isso apenas: viver. Respirar com gratidão. Acordar com amor pelos dias. Abraçar quem nos entusiasma. E seguir por aí a admirar as pequenas bênçãos. Todos os dias.

É um passo a passo determinado de quem decide amar a trivialidade. Pois a magia foi concedida a todos por igual. Mas apenas não chega. A quem não se acha. Um comum mortal.

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#day358 – encontros

Os encontros são assim. Intensos. Falo dos encontros de almas. Companheiras. Falo do inexplicável momento que se sente. Quando nem ainda o olhar se tocou. Falo do beijo que não se deu. Do abraço que não aconteceu. Falo de tudo o que já é, e que deixou de ser. Porque ficou.

Falo da linguagem do amor acima do romance mais genérico. Falo da pompa e circunstância que tem um tempo que não tem horas. Porque lhe param os ponteiro sem demoras. Mas prolongam-se as falas. Os desejos e as memórias. Prolongam-se os sonhos. Partilhados que ainda se ignoram.

Sei tudo acerca de encontros sonoros: nada. Embatem-me as histórias de tempos passados. Sei que no mar se prolonga a terra. E que de resto de ti, sei tudo o que me resta.

E pouco importa o que preciso saber. Quero apenas ter no meu embalo. O privilégio de contigo poder viver. Uma vida. A celebra-lo.

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#day357 – para sempre, domingo

Vivo a vida como vivo os domingos. Com calma.

Para tudo preciso dos dias ensolarados e tranquilos. Equilibram-me as azáfamas das horas de criação.

Sou um tornado de coisas novas. E por isso mesmo não passo sem os meus domingos. Que me retiram. Da confusão.

Não sei viver sem estes dias cheios de possibilidades. Em que podemos escolher o que fazer. Ser. Ou mesmo criar. Somos o que queremos ao domingo. E eu só consigo ser o que quero. E aproveitar.

Arrogante me tenho nos meus domínios. Por que nos meus domingos mando eu. E não há nada que tenha mais fascínios. Do que estes ricos domingos. Mais do que meus. ☺️❤️☀️