#day322 – a lua e os grilos

Importam-me poucas coisas na vida. Mas a lua e os grilos, sim. Fazem-me falta estas noites quando não as tenho. Estas. De lua cheia. De grilos estridentes. De escuridão brilhante. Preciso destas noites de relento como quem precisa de se alimentar. Parece que deixa de existir o “eu”, quando me passo para a urbanidade da…

#day321 – quando tudo desaba

Deito-me na rede, como se nada estivesse a desabar à minha volta. Como se a realidade do que construí não estivesse a tentar transformar-se fora do meu controlo. Ahhh o controlo. Essa ilusão que não passa disso mesmo. Principalmente para quem se movimenta à velocidade da luz. Ouço os grilos aqui ao lado. Olá vizinhos….

#day320 – quando a vida me obriga a avançar

Às vezes onde estamos é tão bom que ficamos. E ficamos mais um pouco. E vamos ficando por saber tão bem. E assim se estagna no confortável. No delicioso. No de-todos-os-dias. Assim se perde o novo. O improvável. O extraordinário. Mas a vida não deixa. Parar. Permite que se saboreiem os dias. Mas longe está…

#day319 – quando tudo parece impossível

Eu sei que não. Que posso mais do que acho. Que sei mais do que penso. Que vivo mais do que sinto. Impossível é nada, quando se vive num rio. Em curso. E eu. Nada mais posso que seguir os passos das gotas que atravessam o que sou, até me chegar. A mim. E nada…

#day318 – enamoras-me, vida

Às vezes sinto o cabelo ao vento e deliro. Com a simplicidade do luxo que é, ter tempo, para sentir a vida a passar. Enamora-me tudo o que me toca dentro, me mostra beleza, e me encanta ao natural. Não vivo bem com a pressa. A competição. Nem sofreguidão. Gosto de viver com tempo. Para…

#day317 – não sei se consigo

Às vezes encolho-me perante as bênçãos. Acho que não sou capaz de aceitar o que o mundo me dá. Às vezes estremecem-me as pernas. De tão descrente que me encontro, perante. O amor que a vida me dá. Quando somos para o mundo esperamos pouco em troca. Achamos que ganhamos em sorrisos e abraços emocionados….

#day316 – quando não escrevo

Quando não escrevo, não é porque me esqueço. Nem porque as palavras não me saiem. Não escrevo porque me falta o espaço, o tempo e o engenho. Na vida que às vezes me abalroa de novidades. Não escrevo quando não posso ou não consigo. Mas nunca deixo de escrever porque não quero. Até porque o…

#day315 – aprender a esperar

Às vezes a espera é tão longa, que a própria espera, desespera. O cansaço vence e ficamos aquém da meta. Porque os passos não chegam onde deviam e o confortável ganha espaço em nós. Quase sempre nos deixa em lugares medianos. Insulsos. Ou até amargos. Por isso é importante saber esperar. Pela melhor onda. Pela…

#day314 – acerca do inesperado

Não costumo fazer muitos planos pessoais. Prefiro que a vida me leve. Há algo inerentemente surpreendente no facto de simplesmente se viver. É nos acasos e nas vontades súbitas inexplicáveis que a vida me embala. E quando vem um qualquer rasgo impetuoso, raramente me prendo. Porque há caminhos que se abrem sem aviso. E pessoas…

#day313 – aos aventureiros

Que a história deste mundo se conte pelos olhos os aventureiros. Dos optimistas. E dos apaixonados por si. Que a história deste mundo se faça pelas mãos dos aventureiros. Dos que nada temem e seus corações ouvem. Que a história deste mundo se cante pelas melodias dos aventureiros. Dos bem-aventurados. Dos sons dos cancioneiros. Que…

#day312 – pedaços de mim

Nem sempre me sinto inteira. A vida vai-me construindo aos pedaços. Como a avó que faz um bolo. Um ingrediente de cada vez. Uma técnica por sua vez. E antes que a mistura faça sentido, vai sendo o bolo, aos pedaços. E eu. Um dia assim. Um dia assado. E nunca sei o dia de…

#day311 – uma vida ao relento

Podia viver ao relento e viveria feliz. Preciso deste cordão umbilical com a terra, vivo. Preciso que as raízes me prendam ao que sou. E não me dêem tectos falsos para viver. Preciso que o amor me leve nos seus sons. No seu amparo. No seu regaço. Preciso que os elementos voltem a ser elementares…