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🌀 Não permitamos que o medo nos controle

Sente-se tanto medo por aí… medo de perder o emprego, medo de perder alguém, medo de perder o controle, medo de conseguir ir além. Medo do desconhecido, medo do que conhecemos. Medo simplesmente dos actos de alguém.

Ora, o medo é uma prisão!

Se ajo a partir do medo, estou a perpetuar um formato que me retira da gloria de ser quem sou. É preciso reprogramar toda a nossa ação na vibração da verdade. O que é verdade para mim? Como me devo posicionar para seguir o que Sou?

Muito se vive atrás do que “temos” que fazer. Ora, se me obrigo a fazer o que não quero por potenciais consequências com as quais não quero lidar, então aprisiono os meus dias numa vibração encolhida e obscura em mim.

Se decidir seguir o que realmente “quero”, ancoro-me na minha verdade, encho o peito de realização e sigo expandida no que acredito. Elevo-me no meus próprios passos. E não falo de ego e falsa grandeza. Falo de elevação efectiva. Quando reconhecemos a nossa verdade e permitimos que se manifeste, estamos a fazer crescer a nossa vontade. Estamos a elevar a nossa vibração. Estamos a permitir-nos entrar em fluxo de novo.

Se muitos se sentem presos às suas situações actuais que não os fazem felizes, então é porque alimentam as prisões internas do que não são e fingem ser. Na maior parte das vezes de formas inconscientes. Isto porque é difícil acreditar que podemos mais, que somos mais e que temos mais para dar. O paradigma geral aceite é de escassez. Daí que o medo tenha espaço para se propagar. O medo é uma segurança para muitos. Vem de um lugar com muitas justificações lógicas. Conseguimos facilmente justificar as nossas circunstâncias. A pequenez de espírito tem argumentos muito “realistas”.

Mas a verdadeira realidade vive no amor. Em vibrações de paz que não se explicam com a cabeça. Explicam-se com o coração. E não há argumentos. Há sensações de realização e harmonia. Só porque decidimos estar noutro lugar emocional.

Por isso é tão importante limpar o que nos suja a alma de emoções que não são nossas. Desses medos que nos puxam para baixo. Desses desvios da nossa natureza. Qualquer que seja a prática que decidamos ter, começar por fazer trabalho emocional é fundamental. Ninguém se consegue elevar espiritualmente sem ter a emoção limpa. É um passo a passo fundamental. É por isso que o início é tão difícil. Porque nos leva às entranhas e a todos os lugares que a cabeça nos diz para não irmos. Porque doí. É como termos feridas abertas e passarmos os primeiros curativos. Arde. Mas dizem que o que arde cura. E ou curamos, ou permitimos que apodreçam partes de nós. Com medo de verdadeiramente Ser.

Imagem: escala de David Hawkins de consciência.

Nota: se a vibração média da Terra é de 210mhtz, então precisamos de pelo menos estar a vibrar em média acima disso.

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O espelho

Quantas vezes dou por mim a olhar para o paraíso e vejo escassez. Essas vezes que me deixei levar pelo cansaço e me perdi nas responsabilidades. É tão fácil deixar vencer o sentimento de culpa pelo que não fizemos, pela resposta que não seguiu, pelo telefonema que não devolvemos. Mas precisamos compreender (e falo para mim própria) que sem fazer nada, nada conseguimos fazer. Se me entupo de afazeres, não me permito transbordar de amores. Porque não tive tempo nem espaço para encher-me de volta de mim. Porque estive tempo em demasia a esvaziar-me para os outros.

Ora, viemos cá para aproveitar. De todas as vezes que entro floresta a dentro percebo a magia deste planeta, revejo-me a brilhar por dentro, e a manifestar a oportunidade desta vida. Por isso preciso relembrar-me todos os dias que não me posso fazer prisioneira da ação. Posso sim, consistentemente, escolher a libertação.

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🌀 Os meus dilemas pessoais

Desde criança que tenho dúvidas existenciais e questões éticas de fundo. A minha mãe conta muitas vezes a história de eu (ingenuamente) levar formigas para o açucareiro de casa para elas não passarem fome. Tínhamos o kit bebés sempre pronto porque eu constantemente recolhia (principalmente) gatos bebés de rua e passarinhos caídos dos ninhos para cuidar em casa. A minha mãe tinha uma paciência infinita para os meus choros e revoltas. (“Como é que podem abandonar animais assim??” Gritava eu com 6 anos). E cuidava dos inúmeros gatos com carinho só para que eu não sofresse mais. Os meus avós da Lousã viram-se com a necessidade de apoiar quase 50 animais de estimação ao mesmo tempo em casa para que eu pudesse estar minimamente tranquila a dedicar as minhas férias de verão em particular à causa animal. Eu e o Pedro (o meu melhor amigo da altura) transformámos um galinheiro em clube dos animais e vendíamos rifas, e recolhíamos fundos para alimentar cães de rua. Não me lembro de um único dia de infância em que não estivesse a cuidar de uma parte do nosso planeta. Ou com ações ou com planos mentais. Não, nunca fui uma criança “normal”. Mas consegui ser diferente porque tive a sorte de ter uma família que apoiava essa diferença e não me impingia ideias de futuros ideias.

Hoje, décadas depois, essa necessidade minha de repensar todos os sistemas para que possamos viver num ambiente saudável para todos alargou-se a praticamente todas as áreas da minha vida de uma forma que não consigo explicar.

Aqui ficam algumas das coisas que me assaltam o coração quando tenho que escolher comprar ou consumir no mundo “real”:

– crise dos plásticos / lixo / florestas

custa-me quando oferecem palhinhas e plásticos single-use em bebidas e comidas e nem imaginam a gravidade da situação dos plásticos nos oceanos.

Prefiro ir à casa de banho lavar as mãos a ter que usar guardanapos de papel, principalmente se não forem de papel reciclado. Perdemos a integridade da nossa floresta para o papel. Será que temos que perder a integridade moral também?

Odeio ter que puxar o autocolismo quando este usa água potável. Fico confusa em lugares onde não posso reciclar ou compostar.

Não consigo entrar num supermercado e comprar tudo embalado. Quando sou obrigada a entrar num, ver os lineares como estão é algo que me faz chorar muitas vezes. Até nos supermercados biológicos. Não faço menor ideia de como explicar as pessoas que precisamos comprar mais a granel até para estimular esse mesmo mercado. Para onde foi a sabedoria dos avós em que se aproveitava tudo e as embalagens se reutilizavam? Estamos supostamente numa civilização inteligente. Eu diria que nunca fomos tão ignorantes.

Não compro nada que tenha óleo de palma. Não quero de todo contribuir para a perda de florestas prístinas na Indonésia. Soja muito menos. Odeio pensar que estou a contribuir directamente para o desmatamento da Amazónia (via produção de soja para consumo humano mas principalmente para consumo animal. Sim dessas toneladas de carne bovina que ninguém quer abdicar de consumir). E nem vou falar na indústria dos laticínios. Eu que sou apaixonada por queijo. Será que todas as pessoas sabem como são tratadas as vacas para produção de leite? Precisamos de tornar ilegal a crueldade animal. Vamos falar dos ovos e da indústria das aves? Dessa “carne branca” tão mais saudável… e também tão mais cheia de hormonas, tóxicos e antibióticos. Ahh já agora com animais que nunca sequer colocam as patas no chão.

Custa-me adormecer no meio da cidade onde não se ouvem os grilos mas sim o ar condicionado do vizinho e o carro do lixo a passar. Aperta-me o coração de não ter a certeza de onde aquele lixo vai parar. Abomino os lobbies que não permitem que se entregue valor a quem recicla e que o mercado do lixo continua a ser muito proveitoso para alguns. Esses mesmos que não deixam o mesmo mercado evoluir. Bora gerar electricidade com lixo? Ahh não… isso será uma investimento muito custoso. A pergunta é: qual é o custo ambiental da produção e não tratamento seguro do lixo em geral?

É difícil encontrar roupas feitas de tecidos sem micro plásticos e com certezas de não terem trabalho infantil ou escravo.

Mesmo o uso de cortiça, azeite, vinho e cereais. Será que todos conhecem os verdadeiros impacto das monoculturas nos ecossistemas mundiais? E os tóxicos? As correlações com cancro. A contaminação dos lençóis freáticos. Hoje em dia todos os peixes de mar tem plásticos no seu organismo que comemos sem saber. Os de fazenda contém quantidades de hormonas e antibióticos inacreditáveis. Não admira que a comunidade médica esteja assustada com o não efeito dos antibióticos no curto prazo. Milhões de pessoas consome antibióticos no seu dia a dia e nem tem consciência disso.

E depois as mulheres queixam-se de não conseguirem emagrecer ou se sentem inflamadas, mas continuam a consumir carnes com hormonas de crescimento todos os dias. Onde está a educação para uma alimentação mais alcalina e verde?

– carências emocionais / crise valores / perda de humanidade

Não entendo porque as pessoas fumam ou se drogam. Porque não doam sangue e outros? Não entendo a necessidade de uso constante de maquilhagem, soutians e saltos altos. Gosto de usar quando me apetece. Uso sempre os mesmos. Mas quando não uso aprendi a não deixar que isso afectasse a minha auto-estima. Odeio ter muita coisa. Ando sempre com a mesma roupa, mesmos sapatos e raramente troco de mala. Não me importo com os comentários. Importo-me com o facto da indústria têxtil ser a mais poluente e escravizante do mundo. Compro menos e de forma mais consciente. Gasto mais em cada peça. Gasto muito menos em valor total.

Parte-me o coração ver crianças a crescer sem qualquer tipo de contacto com a natureza. Se elas não tiverem experiências marcantes com o mundo natural, como irão elas ter comportamentos conscientes no futuro? Só protegemos o que aprendemos a amar.

Pais que entregam as vidas das crianças em infantários para trabalharem desumanamente para poderem comprar tudo o que as crianças Não precisam ter. Os valores passam a necessidade de posse. E não de regeneração.

Choca-me que se invista mais na doença do que na prevenção. E que o mercado da alimentação, viva mais da especulação da sua liquidez na bolsa, do que propriamente a estimular as economias locais. Sim. Todas as grandes cadeias pagam aos fornecedores a 90 dias e recebem a pronto. Já pensaram nas implicações e oportunidades especulativas disto? E na banca ética? Ninguém fala? Há… espera… o banco de Portugal tem que aceitar. E tem que haver massa crítica de projectos para essa banca entrar… 🙄 Então que se aceitem leis que apoiem trocas comerciais e investimentos na economia local. Que se incentive como nunca a economia social. São os “pequenos produtores” os verdadeiros heróis nacionais.

Odeio que se possa consumir tudo por uma questão de “liberdade de mercado” e que se incentive até superalimentos vindos do outro lado do mundo só porque é “saudável para mim”. E para o mundo? Para terem ideia, nem sei se quero ter filhos só pelo impacto que isso tem na super população mundial.

Preocupa-me a infelicidade geral das pessoas com os seu trabalhos em geral. Falta de propósito e desinteresse nos caminhos de evolução humana. O yoga ajuda. Mas é preciso muito mais.

– construção, habitação, comunicação e transportes

Odeio que a lei não preveja aprovação genérica de bio-construção em vários âmbitos e que a ignorância da maioria de arquitectos e eng não apoie o movimento de construção natural. E que sistemas como simples casas de banho secas sejam uma questão de “higiene pública”. 🤦‍♀️ Então higiene é termos todos os tóxicos a serem debitados nos rios e mares? Mesmo os que passam por etares? Tanto composto que podia ser devolvido à terra para regenerar o solo que destruímos, e que vai literalmente por água abaixo. Dói -me a indústria do cimento e o impacto que tem inclusive no quintal de casa que é o incrível parque natural da Arrábida. É um drama interno sempre que tenho que comprar móveis ou tecidos para uma casa. Odeio ter que usar Madeira. Nem sempre as fibras de tecidos são de origem reciclada. E há tanto plástico em tudo que o natural hoje em dia é brutalmente caro. Não me sinto 100% confortável com os veículos eléctricos. Há indícios de trabalho escravo em tantas minas e como se reciclam as baterias… sou apoiante do movimento. Mas… precisamos alinhar mais.

Todo o lixo tecnológico. Estratégias de obsolescência programada. Será que todos sabem que muitos equipamentos estão programados para se “estragarem” um pouco antes dos novos modelos estarem prontos para lançar?

É por tudo isto que…

Dedico toda a minha vida e tudo o que sou a causas. Não porque é “bem” ser-se assim. Já nasci com estas vontades. Mas porque sofro se não for de outro jeito. Não perco tempo a pensar em “carreira”, “família” e “carro novo”. Todo o meu espaço mental é a criar soluções de vivência mais humanas e ecológicas para o meu dia a dia. Poucos compreendem a forma como penso e me entrego assim. E estou longe de estar a consumir como desejaria. Há inúmeros erros que não consigo deixar de evitar. Sim. Também tenho um iPhone. E um carro a gasolina. Não encontrei opções suficientemente claras / viáveis para mudar. Não sou fundamentalista nem hipócrita. Sou consciente, e quando estou a consumir mal, conheço os impactos que isso tem. E incorporo essa consequência da minha decisão. E sofro. Sofro a valer. Cada vez que decido consumir mal. Sempre, por falta de opções. Muitas vezes em jantares de grupo dou por mim em silêncio e isolada do convívio a deambular por todas as questões que se levantam ao olhar para a mesa do jantar. E penalizo-me por isso.

Não. Não sou de todo perfeita. Por isso é que sou pelo marketing consciente. Porque até o mercado de soluções consciente não estiver bem implementado, pessoas como eu ou qualquer um de nós, não pode consumir cada vez melhor. Porque o mercado não oferece suficientes soluções reais e sinceras.

E depois perguntam-me “mas com tanta coisa qualquer dia não podemos consumir nada!” Ao que respondo “podemos consumir muito melhor perante as opções que temos. Se todos alterarmos os nossos padrões de consumo nem que seja um pouquinho para outros mais conscientes e termos mesmo noção dos impactos, mesmo que o nosso acto de consumo não seja perfeito, já tem uma contribuição brutal. Somos nós que dirigimos a economia. Não me canso de insistir nisto. Comprem menos em quantidade e terão mais dinheiro disponível para comprar em qualidade. Não me venham dizer que é uma questão de preço. É sim uma questão de consciência e hoje em dia de sobrevivência. Todo o dinheiro que colocamos em compras, precisamos entender que é nessa indústria, projecto ou caminho, que decidimos, enquanto humanidade, fazer o mundo evoluir. Hoje em dia gasto muito menos em compras e ganho muito mais pelo meu trabalho. É possível! Falo pela e com minha própria voz!

E vocês? Onde colocam a vossa energia? Em que caminho de evolução decidem todos os dias investir?

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🌀 Acerca das Mulheres

Muitas vezes vivo o estigma de parecer louca, descompensada, excêntrica. Muito poucos sabem que anestesiaram as mulheres com hormonas falsas. Desde que a menstruação desce que aprendemos que tomar a pílula é bom, que faz bem à pele e que regula as dores. Mas o que faz é retirar acesso aos sinais, às vivências e à sabedoria interna. Retira-nos a essência de sermos mulheres. CÍCLICAS. Há muitos processos emocionais que passamos porque temos a capacidade de sofrer com os problemas do mundo. Esta característica empática que às vezes nos faz chorar sem sabermos porquê. E esse porquê às vezes é só libertação pela água. Destas emoções contidas. De todos. Aos olhos de fora, quando não nos compreendem, imagino que pareça uma instabilidade profunda. Mas só desestabiliza porque se esquecem que nesses momentos não queremos comentários nem mais julgamentos. Queremos apenas um abraço. E passa. É tão difícil ser mulher num momento de transformação em que o masculino desequilibrado está obsoleto e alguns próprios homens questionam o funcionamento do sistema. Somos nós, as mulheres selvagens, essas loucas que se retiraram das amarras que vêem das entranhas mostrar que é possível um empoderamento pelo feminino. Que é possível amar acima de tudo, o outro. Que é possível passar pela dor e opressão de séculos sem que para isso tenhamos que culpar alguém, que por pura inconsciência, nos fez sofrer tanto. E aos homens a quem é exigida a performance e constância desumana, cobram depois às mulheres uma linearidade de sentimentos que não é a nossa função no mundo. Somos soltas! Somos livres. Somos humanas. Somos empáticas e cuidamos do mundo. O nosso equilíbrio é esse mesmo. Entre a chuva e o sol. O dia e a noite. O sorriso e a lágrima. É dessa diversidade de que somos feitas. É desse conjunto que nos sai o propósito e todo o amor que nos vai dentro. Temos a responsabilidade de fazer diferente. De sermos selvagens sem ferir o outro. Mas acima de tudo precisamos de seguir de mãos dadas entre mulheres irmãs despertas e homens entendedores destas coisas do novo mundo. Este mundo equilibradamente mais feminino. Sem extremismos. Apenas com o amor e que é próprio de toda a mulher empoderada na sua doçura e na sua assertividade. Como canal centrado a fazer a ponte entre mundos. Obrigada a todas as mulheres que têm a coragem de serem quem são. Hoje é o nosso dia. ❤️

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🌀 Revolução Silenciosa

Somos os que fazemos acontecer. Os que sem alaridos trazemos soluções ao mundo. Os que não precisam de comunicar o que ainda não é, nem parecer o que não somos para fazer girar a roda da matéria. Somos os que vieram com certezas. Muitas mais certezas que dúvidas acerca de como precisamos operar para que o sonho aterre. Este sonho que é criar o paraíso na terra. Somos os que respeitamos as águas, nutrimos as terras, acendemos as consciências e ventilamos os corações. Somos os que vivem da esperança que não se sabe de onde vem. E essa incerteza pouco importa. Vivemos do drive que nos induz ao transe de fazer acontecer hoje. Mesmo que de forma rudimentar. Preferimos fazer mais-ou-menos do que aguardar pela perfeição. Somos os que damos os passos para a verdade, observamos os caminhos de possibilidade e agimos em prol de todos. Somos os que colocamos a comunidade, o país ou o ecossistema global acima da sua própria existência. Somos os que estão constantemente ao serviço. E quando nos cansamos, aprendemos a descansar. Não a desistir. Somos os que fazemos o que somos sem sabermos porquê. Por que a missão não se entende. Executa-se. Não há tempo a perder com deambulações intelectuais do-que-deveria-ser-mas-ainda-não-é. Somos os que fazemos acontecer. Com o pouco que temos, o menos que somos e o tanto que trazemos. Nada nos pára na nossa vontade. E que feliz vontade que vive para o mundo. Somos os que se aceitam com as suas limitações e não se sentem limitados em nada. Somos os focados nas soluções. Somos os tímidos, os aventureiros e os corajosos. Somos este mix de diversidade rara. Somos mesmo a regeneração em pessoa. E sabemos quem somos. Reconhecemos o brilho nos olhos do outro. O brilho de quem está em missão para o mundo. O brilho da força de uma tropa unida e com uma causa. Esta causa que é, relembrar que viemos para trazer humanidade e não nos perdermos nela. Que viemos para ir além do indivíduo. Para evoluirmos do um para o todo. Em prol de uma existência maior. E neste caminho ter o privilégio de viver num paraíso real, que só encontra quem procura, numa causa, a sua integridade moral.

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🌀 Nómada

Encontro no nomadismo a liberdade. Gosto da certeza de ter casa para voltar. Mas gosto mais ainda da certeza de poder partir. Não sou de me prender às coisas. Pessoas. Ou lugares. Mas fico onde quero, com quem e me faz bem. Sou na verdade bastante fiel ao que conquistei.

Mas gosto de abanar a minha realidade. Constantemente. De me deixar inspirar pela vida. De passar os dias a viver o que amo. É assim que me transformo em mim. A insistir no que sou. Mesmo quando o caminho não é óbvio, apresenta obstáculos ou parece distante. Não há nada que não consiga fazer, se a vontade sincera me chegar.

Sinto-me invencível nos meus próprios passos. Não porque sejam melhores do que os dos outros. Mas simplesmente porque são os meus. E nos meus passos, mando eu.

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🌀 Oásis por entre desertos

Há mais de um mês que estou a morar numa ecovilla muito especial. Piracanga.

Para quem não conhece estas andanças, ecovillas são comunidades intencionais que juntam pessoas com intenções de vida semelhantes. Neste caso, para além da forte e consistente componente espiritual, é dos lugares mais coerentes do ponto de vista de sustentabilidade que já conheci. Não entram químicos de nenhuma espécie aqui dentro. As águas são honradas e por isso cuidadas em profundidade. Os ciclos de todos os produtos são fechados. Entra muito pouco lixo (na maio parte até por parte dos visitantes menos conscientes). Tudo é compostado, reutilizado ou no limite vira um tijolo ecológico – garrafas pet onde vamos colocando todos os resíduos para os quais não temos utilidade nenhuma que quando estão cheios e bem rijinhos, servem de matéria prima para as construções de adobe das casas e infra-estruturas gerais.

A gestão e vivência é comunitária, as pessoas estão encaixadas nos seus propósitos de vida, e com mais ou menos desafios, vão fazendo funcionar alegremente um incrível centro de retiros e formações transformadoras. As refeições são veganas. Não há crueldade animal cá dentro e muito se planta de biodiversidade através de métodos de permacultura e agro-floresta. As abelhas têm casa, e o lugar é presenteado com um rio que desagua no mar e que mais parece um paraíso na terra.

Precisava de vir aqui reaprender o que tem que acontecer e a que escala. O que faz sentido ou não nesta altura em termos globais e no fundo perceber que precisam existir estes oásis para nos devolver a esperança e mostrar que é possível.

Teria tanto a dizer deste lugar e desta minha vivência. Tenho um estilo de “férias” um pouco distinto 😬 vou acabar por ficar dois meses. A dar e receber esperança para nos fortalecermos enquanto indivíduos e projectos para no fundo percebermos que não estamos sozinhos nesta caminhada coletiva para o bem de toda a Humanidade.

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🌀 A vida perfeita.

Durante muitos anos deambulei em torno da palavra sucesso. Hoje é a liberdade que define as minha escolhas. Já fui escrava da minha própria ambição. Hoje sou a melhor amiga da minha libertação.

Porque será que acreditei que precisava “assentar” num mesmo lugar quando todo o meu espírito tem asas além-nação? Porque será que acreditei em empregos estáveis, quando no fundo só me sinto segura de que não estou a deixar a vida para trás, quando sigo o meu coração? Porque será que me chamam corajosa quando o que sinto é que corajosos são os que conseguem perder a vida em prol de uma qualquer ilusão doutrem.

Há vidas diferentes possíveis! Basta desenhar bem o sonho e a missão. Seguir passo-a-passo e confiar que todos os que verdadeiramente querem, chegam ao seu lugar, e alcançam a sua visão.

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🌀 Voto com o meu poder de compra

Perguntam-me “como fazes para ter essa vida solta, Bárbara?” “Invisto tudo o que tenho e sou no que acredito” respondo.

Não adianta partilhar informação nas redes. É a colocar dinheiro, tempo e energia nos projectos que transformam, que se muda o mundo. O meu poder de compra é o meu voto de confiança em quem pelo menos está a tentar fazer diferente.

Hoje penso duas vezes antes de comprar. Poucos entendem que as nossas escolhas comandam a direção da economia. E se a economia muda, toda a política mudará também. Sermos consumidores conscientes é sermos activistas diariamente. É darmos o sinal de mercado do que queremos mesmo ver nas prateleiras. E como. Permitir que o nicho se torne a norma.

Há uma correlação muito forte entre como gastamos o nosso dinheiro e como nos tratamos por dentro. Se gastamos todo o extra que temos em eventos sociais e “poupamos” em fast food, estamos mais carentes do que achamos. É a cuidarmos de nós que aprendemos a cuidar do mundo também. Quando, por exemplo, opto por alimentos biológicos, cuido de mim e evito contaminações internas e externas. Compro de pequenos produtores orgânicos porque me protegem de doenças e alterações climáticas. E permito que mais uma família viva de um negócio regenerativo enquanto contribuo para a economia local em vez da minha liquidez seguir para especulação na bolsa, ou qualquer indústria destrutiva. Um a um, tomando decisões conscientes, vamos mudando o mundo. Vamos fazendo acontecer. Dando o sinal do caminho através dos nossos actos de compras.

O que sei, é que quando cuidamos do mundo, o mundo cuida de nós. Nunca me faltou nada. Compro menos, compro melhor, troco sempre que posso, reutilizo tudo o que tenho. Se faço a diferença? Não sei. Mas acredito que sim. Sei ainda que isso determina o estilo de vida que me move e me faz feliz.

Não podemos ser ignorantes a ponto de achar que não podemos mudar nada à nossa volta. Pois todos os euros que gastamos, se forem colocados nas mãos correctas, farão girar a roda da regeneração e todo esse circuito de cuidado e abundância, regressará, inevitavelmente, para nós também.

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🌀 O poder das mulheres “normais”

Tenho uma admiração enorme pelas mulheres “normais”. As que não precisam de tambores, cristais e vestidos compridos para assumirem a sua espiritualidade. Admiro a capacidade de se encontrar a essência na entrega aos elementos, sem que para isso sejam necessários aparatosos rituais. Admiro a força que tem uma mulher que confia na sua própria realidade.

Há muito de exacerbada “espiritualidade” por aí. Parece que de repente há uma incrível necessidade de se ser e parecer espiritual. Mas quando se olha de perto, o mais importante que existe, é manter a simplicidade de se seguir os passos de que sentem correctos, quer eles soem como mantras de iluminação, ou não.

Durante muito tempo me senti fascinada com as mulheres que pareciam que tinham voltado às raízes (e provavelmente voltaram) mas depois fui-me apercebendo que tudo o que se procura fora se encontra dentro, quando se mantém uma vivência interna como sagrada. E isto é invisível aos olhos de todos. É apenas avistado pelo olhar interno. De cada uma.

Não quero com isto desmerecer as experiências de espirituais disponíveis, muitas vezes transformadoras de tanta vidas. Quero apenas relembrar que o templo se cria por dentro, e que o sentido de sagrado, dificilmente, se encontra fora.