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#day150 – acerca da humanidade

Não me venham dizer que há maldade no mundo. Eu não acredito nisso. Acredito sim na dor que cega e traz consigo actos inqualificáveis. 

Não me venham dizer que não podemos confiar nas pessoas. Podemos sim, se confiarmos totalmente em nós e soubermos passar tanta segurança ao outro que o outro não terá coragem para nos trair. 

O amor desmonta, parte em pedaços as carapaças da falsidade de se ser cruel. O amor resume a pó a ilusão do medo. O amor desconstroi tudo o que imaginámos ser possível. 

Não me venham dizer que não posso viver sempre em profundidade em mim mesma e que tenho que me adaptar ao outro. Lamento mas não posso fugir da minha própria verdade e trair-me assim. É a mentira de vivermos fora de nós que trás a mágoa ao outro. Ninguém que se encontrou se impõe ao outro. Ninguém que se ame tão profundamente consegue (ou deseja) controlar seja o que for no mundo. Amor gera amor. Simples. Ponto final. 

Não há regra universal para para se aprender a amar melhor, mas eu acredito que a humanidade traz essa capacidade. E humanidade implica empatia, abertura ao outro, cuidado e presença. Ora, sejamos humanos para nós mesmos e comecemos o treino para o mundo. Comecemos na nossa prática diária de afectos e logo logo teremos emoções maravilhosas para partilhar. 

O mundo precisa de ser amado, precisa desesperadamente de um romance que surja de dentro, dos seus próprios elementos. Precisa de uma história de amor digna de um filme, de tal forma transformadora que traga a luz aos cantos recônditos da sua própria alma. Sim o mundo têm alma. É aquela brisa que voa pelos cabelos e aquela vista que nos encanta e nos faz parar rendidos ao que temos pela frente. A alma do mundo é o mar e o que ele faz mexer através de si mesmo. 

Queira o mundo despertar para o que é e para o que será. Que eu mal posso esperar para ver acontecer, o que eu desconfio que há exista, mas ainda não se assumiu como tal 😍

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#day146 – é preciso tempo para olhar para dentro

Ás vezes a falta de tempo, retira o último tempo que se tem. É preciso compreender que tempo gera-se. Reduz-se o que não importa para se dar espaço ao tempo. 

Ás vezes o tempo incomoda. Quantas pessoas que conheço que se atrapalham quando têm tempo? Que ficam nervosas para aproveitar o tempo. Mas lá se vai o tempo e nada se aproveitou. E isto só acontece quando as pessoas não estão habituadas a ter tempo. Perdem o tempo para encher a vida de coisas. E depois não há tempo para usufruir das coisas que substituíram o tempo. 

Ás vezes ter tempo para simplesmente não fazer nada pode representar a maior benção ou o maior pesadelo. Ora, se uma pessoa gosta da sua companhia e gerou um ambiente agradável a sua volta, quererá ter mais tempo para usufruir de tudo o que criou. Se por outro lado, a insatisfação com a vida é tal, “mais vale ir trabalhar” para não ter que ser confrontada com o presente da sua situação. Há muita gente que se refugia no trabalho e depois mente-se a si mesma queixando-se da falta de tempo. Mas a falta de tempo só existe pq se permite perpetuar uma situação que no fundo trás um conforto paradoxal. 

No início é tão difícil olhar para dentro com tempo… Confrontar uma realidade tão própria e tão invulgar. Mas com o tempo, a criação de espaço gera mais tempo, e o tempo por fim floresce e acaba por se aproveitar a si mesmo em deleite. 

O tempo adora ter tempo para si. E quando se encontra consigo mesmo, diz: “tanto tempo o tempo têm…” 😘 

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#day145 – a meu bel-prazer

E dou por mim cada dia a afinar mais o meu estilo de vida. Cada dia a concretizar mais do que amo. Cada dia mais próxima do que é importante para mim. 

E então percebo que é preciso um certo egoísmo neste processo. Um pôr e dispor saudável que nos aproxima da nossa essência. 

Dou por mim a construir-me por dentro. A encontrar-me no meio das arrumações de alma. A cuidar de cada emoção, a seleccionar cada reacção, e meticulosamente a aprender a gerar alegria dentro de mim. E não digo isto para expor o meu contentamento. Partilho sim, como uma gestora partilharia o aperfeiçoar de uma metodologia. A análise, gestão, superação e construção de emoções que nos elevam é tão possível como montar um negócio próprio. Basta, para isso,  querermos empreender. Começo a visualizar o processo de forma tão prática que quase me sai o método completo. 

O mais importante é percebermos que temos, se quisermos, fazê-lo por nós. Pela nossa própria autonomia e felicidade pessoal e o resto vem por acréscimo. De pouco serve nos querermos dar ao outro e “dar muito ao mundo” se estivermos miseráveis por dentro. É que no limite, em primeira mão, somos responsáveis primeiro por nós e dps pelo mundo. Se cada indivíduo conseguisse gerar a sua própria autonomia, seria tudo muito diferente. Há os que não podem nem conseguem mesmo. Há os que simplesmente não fazem nada para mudar. E há os que conseguem. Pois bem, eu sou pela independência a todos os níveis. Principalmente a emocional. Mesmo quando isso nos faz trilhar vias um pouco invulgares. 

Por isso tenho gostado muito de fazer tudo por bel-prazer. Para me reinventar as vezes que forem necessárias até eu “ficar no ponto” em mim mesma. Só nesse capricho solitário e consistente poderei eu empoderar-me do que sou, para me dar a seguir. Só nessa voluptia constante poderei eu trazer vida aos outros em forma de brilho. Só quando a minha própria vida brilhar, poderei eu ser uma fonte inesgotável de amor. Só depois de ser eu essa fonte, poderei enfim, acordar. 

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#day143 – amar aprende-se a amar

Amar é como uma trilha. Um caminho percorrido pelo simples prazer de o percorrer. 

Muito nos perdemos nas metas por um amor consumado, quando na verdade, amar é a trilha, a rocha e a chegada. 

O Amor anda descalço, despido das suas próprias exigências. O amor tem mais de sussurro do que de contornos definidos. 

O amor tem mais de mar do que de rio. Tem mais de profundidade do que de alturas. O amor tem muito mais de terra. De raízes fundas. Tem muito pouco de experiências intergalacticas. Pois o amor está no toque. Naquele sopro que passa pela pele e faz arrepiar. Por isso o amor está aqui. Não está em mais lugar nenhum do que aqui. Neste momento, nesta realidade. Neste ser e estar aqui. Nesta vida. Neste mar. 

O amor é um portal dentro. É um acesso directo ao melhor da existência. É uma via rápida para o que se é. É, uma autoestrada para o infinito que termina (ou recomeça) aqui mesmo sem rodeios. 

É por isso que amar é uma ponte. Que faz entender que não há margens para ligar. É tão paradoxal que vive incompreendido para sempre, pois ninguém se lembra que o amor não se sabe. Vive-se. E aprende-se. A amar. 
Créditos à Imagem / texto: Zack Magiezi 

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#day140 – quando chego a casa

Casa é um lugar íntimo, uma sensação de conforto. Casa são lugares pessoas ou objectos. Casa é um pertença nossa a um mundo específico a que regressamos com vida. 

Casa não são só quatro paredes. São tb abraços, beijos e aconchegos. Adoro estar em casa com as minhas pessoas. Aquelas que me fazem sentir bem. As que não estranham o meu pé sofrego por ficar descalço depois de um dia inteiro de reuniões. Aqueles que me enchem de mimos só com o olhar. Aquele olhar que diz que me ama por entre um deliciosamente condescendente “é a barbara…”. E depois viram a cabeça às minhas parvoíces e eu sinto no seu movimento “tinha saudades dela em casa”. Essas pessoas que nos tornam tão especiais que até nós passamos a acreditar que somos. Só porque elas nos repetem isso todos os dias. Vezes sem conta.  Elas que nos fazes acreditar nos nossos sonhos e nos distraiem das dificuldades. Adoro essas pessoas que acreditam mais em mim do que eu própria. Que gostam mais de mim do que eu própria. É com elas que me sinto em casa. E devolvo o olhar, o abraço e o carinho. Com toda a força que consigo. Detesto ficar a dever amor à alguém 😝 

E vou-me deixando ficar nos lugares que são casa para mim. Não por belíssimas quatro paredes mas pelos afectos, pelo cuidado e pelo amor. Não consigo morar onde não há profundidade. Onde não há atenção, onde não floresce amor. 

E acho que é por isso que acho que não trabalho. Entusiasmo-me tanto com os projectos, que se pudesse seriam a minha casa. E passam a ser. Revisito-me vezes sem conta só para garantir que continuo em casa em mim mesma e não me perdi em nenhum qualquer abrigo temporário. Que desperdício de tempo é aquele que procura telhados em casas sem chão. E vivências só por sim e porque não. 

Casa. Estou sempre em casa. E se não estiver, regresso. Não me vá eu perder pelo mundo das coisas à superfície, e ficar à margem do que a vida tem de melhor: o sentimento de casa em lugares e pessoas, sempre à espera de ser habitado. Por nós. ☕️🏡

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#day138 – aqueles dias de amor profundo

Estou naqueles dias. Naqueles dias em que podia olhar para qualquer coisa e achar aquele objecto o melhor e mais maravilhoso do mundo. E acho. 

Uma coisa fantástica de se seguir o coração é saber que a vida sempre se torna mais doce, mais rosa, mais viva, mais luminosa. É quando há um esvaziamento total do que achávamos que éramos, para deixar entrar o que somos que tudo acontece. Já não me controlo faz tempo. Já não me obrigo faz mais tempo ainda. Agora só me amo. E reforço: agora so me amo. E  digo de um lugar de quem nem sempre gosta de quem “se é”. Mas escolho amar-me na mesma. É um sentimento tão doce e tão profundo que poderia ter um aroma, uma textura e cor. Podia ter um sabor, um abraço e um turpor. É um sentimento que já é tão palpável para mim que não me restam dúvidas agora que qualquer pessoa pode nutrir um amor inacreditável por si mesmo. E digo isto com tanta profundidade… Vem tão de dentro de mim que acho que é por isso que a vida me apaixona. E às vezes não sei quem ama mais. Se eu à vida ou ela a mim (a contar pelas bênçãos que recebo todos os dias). Tb já não sei se sou mesmo assim tão abençoada ou se é mesmo só a forma como vejo o mundo. Esta minha teimosia em achar que tudo é perfeito. Que não há maldade e que no limite todos podemos viver os dias que queremos. Esta minha teimosia de me apaixonar pelas pessoas e pelas suas transformações. De me apaixonar pelo mundo como ele é. Vivo num conto de fadas sim. Daqueles de coração cheio. E quem me dera que estas palavras pudessem mostrar a energia com que as falo. Porque as falo para partilhar que é possível. Não tenho nada a provar a ninguem. Talvez assim, falando, pudesse contagiar mais para amar mais e melhor. Talvez pudesse eu dar mais ao mundo de mim assim. É por isso falo. 

Aí! Chove lá fora, e está quentinho cá dentro. Que esta chama me acompanhe hoje e sempre para que o mundo possa continuar maravilhoso tal como o imagino e sinto, e possa ele mostrar a todos isso mesmo. Que a vida é um amor profundo. Daqueles de cinema. Que encanta e que fica. Para sempre. Se quiserermos. 💕

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#day135 – o poder do desabafo 

Há dias em que as palavras que queremos dizer já não cabem mais em nós. Que acumulámos tanto, que segurar o que nos vai dentro se torna uma missão impossível. Por isso adoro desabafos. Desabafo muito com o sol, a almofada e o mar. Tb desabafo com pessoas, a Mel e vento. Mas… Desabafo ainda mais cmg.

O desabafo é uma ferramenta fundamental de libertação de emoções. Quando faz isso mesmo: liberta emoções. O desabafo não deverá servir para acusar, limitar ou julgar a situação. Deve servir para aprendermos que a vulnerabilidade nesse acto de expressão existe com um propósito concreto: expressar o que nos vai dentro. De forma limpa e objectiva. Ou caótica mas verdadeira. Não deve servir para prolongar o problema, para chamar a atenção, mas sim partilhar o que não cabe mais dentro. 
Tenho a tendência para desabafar sozinha. Sim, nem sempre o desabafo tem que ser dirigido a outra pessoa. Na verdade, pode ser apenas um exercício de libertação como tantos outros. Eu dirijo-me muito ao papel. Às vezes acho que tudo o que escrevo é um desabafo. Uma corrente de emoções vividas em pleno que germinam e geram flor e fruto. E se conversam entre si. E se expressam sem que para isso eu tenha que pensar. Na verdade, elas contam-se a mim. Mostram-me o que me vai dentro. Curioso não é? Mas de facto se os desabafos não me saíssem boca fora, pouco saberia do que me vai dentro. Para o caso das emoções menos simpáticas, vos deixo uma técnica que usei muito um dia para libertar coisas que me trancavam a alma, e me ensinou a “deitar cá para fora” o que não faz mais sentido guardar dentro: 
Procurar um lugar tranquilo e um momento com tempo. Pegar num papel e numa caneta. Escrever tudo mas tudo o que nos vai na alma. Não pensar. Só escrever. Escrever da forma que sai. Sem julgar nada do que possa estar a ser dito. Nem quem escreve nem ninguém irá ler a carta. Por isso, continua-se a escrever até mais nada ter que ser dito. Não precisa de estar legivel, basta estar transparente e deixar tudo sair. A escrita deve passar por 3 fazes: “tudo o que me fizeste” (ou situacao); “tudo o que te fiz”; tudo o que estou grata (o). Pode parecer uma sequência improvavel, mas com a libertação de emoção inicial de facto, o coração vai acalmando e ganhado outra perspectiva. Não que tenhamos de mudar de posição acerca da situação ou pessoa, mas pq acabamos de libertar um peso grande que nos curvava as costas e não nos fazia ver tudo o que a situação nos trouxe. Para situações mais densas, é importante repetir a carta (noutro dia) quantas vezes seja necessaria. E com isto ir deixando as cargas para trás e seguir leve flutuando pelo caminho. Rasgar e queimar as cartas no final. Deixar que as chamas transformem o resto.
Nem todas as pessoas ou situações serão maravilhosas connosco, mas cabe-nos a nós decidir o que queremos carregar connosco ou nao. E o que não for para ficar, que saia em formato de desabafo. Porque a vida quer-se ligeira, e o coracao, bem arejado 🙂 e depois dessa limpeza profunda, reparem nos desabafos de amor que começam a surgir. E não mais poderá o coração deixar de falar e expressar aos sete ventos o mundo encantado que lhe vai dentro 💕

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#day134 – sair da tristeza

Há tristezas tão profundas que mais parecem poços sem fundo. É uma sensação por vezes tão forte que parece não ter saída. Parece que vamos viver naquela tristeza para sempre. 

Mas não… Todos sabemos que não, que tudo muda. Se há coisa que me dói é ver pessoas nesse estado de impotência. Pois vos digo que é possível sair. E sair agora. 

Pfv parem de se lamentar: resolve alguma coisa? Ajuda a situação? Nao. A tristeza profunda leva muitas vezes a um sentimento de pequenez por “não termos sido capazes” ou “não termos sido bons o suficiente” ou “o mundo está contra mim”. Ninguém é um coitadinho. Todos somos infinitamente capazes de ter uma vida previligiada. Por isso, chega de lamentações e…

Vão fazer algo que amam: sei que custa, que a vontade não existe, que o mundo parece que vai acabar. Mas não vai. Só temos que mudar de perspectiva. Por isso, fazer algo que amamos como ir dar um mergulho ao mar, ir passear num parque, ler um livro, etc… Dá-nos uma sensação de bem-estar que é o início necessário para começar a transformar a sensação de tristeza. E não digam que não há tempo. Quanto tempo não se perde em lamentações sem mais valia nenhuma? Às vezes como um chocolate, outras choro, outras brinco com a mel (minha cadela), mas nunca me deixo ficar em tristeza profunda mais do que 24h. É corrosivo. Deixa-me doente. É preciso subir a vibe (como se diz no Brasil), trazer alegria. E não é outra pessoa que o vai fazer por nós. Nós é que temos que encontrar a nossa própria forma de nos mantermos felizes e isso só acontece quando nos forçamos (ao início) para fazermos o que amamos. Depois, com a prática, percebemos que estamos muito melhor a fazer o que amamos e nunca mais nos permitiremos a estar em tristeza profunda. (A única excepção é dar tempo a luto. Alguém que faleceu ou alguma emoção que precise de mais tempo. Mas assim que começar a ser corrosivo é pouco saudável o luto, é importante sair).

Encham o coração de gratidão: mesmo no meio da situação que nos deixa muito tristes, é sempre possível ver algo na nossa vida para o qual estamos muito gratos. Isto não é clichê. É bem técnico. Obrigar-nos a olhar para as coisas que nos correm bem e desviar a atenção do que nos faz mal, treina-nos a ser assim em tudo na vida. A sair da depressao e a focar-nós no que nos corre bem. Fazer isso vezes sem conta, transforma completamente a visão que temos do mundo e leva-nos para um lugar de calma interno que pode ser construído com a prática. 

Se alguém estiver agora num momento de tristeza profunda, pfv saia dela AGORA. É possível. 

Qualquer coisa, enviem-me mensagem. Estou aqui ❤️

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#day133 – passo-a-passo

“Passo-a-passo” é o nosso melhor amigo. O companheiro que nos leva sempre a bom porto. Que nos deixa sempre mais perto do que no dia anterior. 

Falo muito no “passo-a-passo”. Gosto muito dele. Ele ensina-me a respirar, a ser resiliente. A esperar. Ensina-me a ter calma, a confiar que o tempo certo irá chegar. Ensina-me a acreditar que passo-a-passo irei conseguir. 

Nem sempre o “passo-a-passo” é compreendido. Hoje em dia as coisas querem-se rápidas, imediatas, instantâneas. Perdeu-se o senso de se aproveitar o caminho passo-a-passo. Perdeu-se o vigor do trabalho constante. Perde-se facilmente o foco quando os resultados não veem quando se pretendem. Mas por isso mesmo o “passo-a-passo” é tão importante. Tão sábio. Ele sabe seguir tranquilo, pq sabe que todos os dias dará um passo no sentido certo, pelo que todos os dias nos fará mais perto. O “passo-a-passo” é amigo de si mesmo, pois sabe de onde vem e para onde vai. 

“Passo-a-passo”, tenho uma confissão a fazer-te. Mudaste a minha vida para sempre. Nesse teu jeito despreocupado. Nessa tua constância que é minha mestre todos os dias. Já não me faz sentido viver sem ti, só por me teres ensinado a conseguir tudo o que desejo, passo-a-passo. 👣

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#day132 – acalmar a mente

Vejo muita gente afogada em excesso de pensamentos, “de cabeça cheia”, desesperando por paz. Vejo muita gente que não entende o porque de “tanto azar” ou do não fluxo da sua vida.

Pois eu digo, que de cabeça cheia ninguém consegue ver o caminho. Se a minha mente estiver tão ocupada em remoer ou passado ou tão ansiosa a antecipar o futuro, eu vou facilmente tropeçar nas pequenas predras do caminho só porque não estava atenta. Não estava presente. 

Acalmar a mente é fundamental para se poder ganhar discernimento e poder seguir passo a passo em paz. Levei 8anos até atingir um nível de meditação que me permite hoje não me deixar sucumbir a emoções (pensamentos com cargas energéticas revividos vezes em conta em loop). Tive que viajar para encontrar muitos mestres, fazer formações e ficar um mês num mosteiro budista no Nepal para me encontrar neste sentido. Mas quando olho para trás poderia ter chegado ao mesmo nível com apenas um exercício: sempre que me observo a remoer no passado ou em sofreguidão pelo futuro, paro tudo, trago a minha atenção para o que estou a fazer e não alimento mais o pensamento. 

Faço isso 1, 2, 1000x até o pensamento deixar de ter força. Até ele não me controlar mais. Até deixar de me doer. Fiz isto tantas vezes, treinei-me tanto mudar de perspectiva que passo hoje muitas horas do dia sem pensamentos em loop. A vida flui muito mais e eu tenho uma noção muito mais clara do caminho que quero seguir. Isto pq quando a mente acalma, a poeira assenta e eu consigo ver melhor. Parar para olhar o mapa da vida ajuda-nos a mantermo-nos na direção certa. E traz tanta paz, que depois deste domínio, já não voltaremos a permitir que os pensamentos nos controlem. 

Não vale a pena tentar perceber tudo o que se passa connosco. É total desperdício de tempo. É como fazer um exercício físico. Posso não conseguir fazer um pino a primeira, ficar a tentar perceber pq não consegui fazer esse pino. Tentar analisar cada músculo para perceber a falha. Mas na verdade, a única coisa que tenho que fazer é continuar a tentar até conseguir. Claro que podemos ler sobre como melhorar ou ouvir alguém que consiga fazer um pino exemplar. Mas é perder tempo de vida, tentar perceber a falha. O melhor, na minha opinião, é aceitar e seguir tentando. 

Assim, nunca mais perdi vida de mim a tentar entender todas as minhas falhas (que são tantas que nunca seria feliz se o fizesse). Prefiro dedicar a minha vida ao que amo. Focar toda a minha atenção na construção do que acredito, em vez de olhar para traz e perceber que fiquei aquém de mim mesma. Prefiro reconhecer os passos que dei e celebrar como souber. Ficar feliz com onde cheguei. Porque a mente inquisidora nunca estará feliz com os nossos progressos. Cabe-nos a nós, treiná-la a ser mais humana, mais feliz. Porque na vida dá-se o que se tem, é experiencia-se o que se é. Por isso, que se acalme a mente e se dê espaço para o que se ama, e tudo à nossa volta se transformará no que acreditamos ser o melhor para nós. 🍀☀️