Pilgrimages · Places

#day141 – viajar… 

Travel is like love, mostly because it’s a heightened state of awareness, in which we are mindful, receptive, undimmed by familiarity and ready to be transformed.”

Pico Iyer

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#day115 – quando a pressa para ser feliz atrapalha

Há pessoas que até para serem felizes, têm pressa 🙂 se envolvem em maratonas impossíveis para lá na frente encontrarem, hipoteticamente, a felicidade. Ora, apesar de ser muito necessário “correr atrás”, é nas pequenas coisas do dia-a-dia, que a felicidade aparece a espreitar, como uma criança que fez uma qualquer travessura e quer chamar a atenção. Mas há quem esteja com tanta pressa para ser feliz, que nem a felicidade vê à sua frente todos os dias. 

Claro que nem todos os dias são plenos, mas aposto que qualquer pessoa, em qualquer circunstância, consegue ter nem que seja um breve momento onde viu algo belo, onde deu um suspiro profundo que deu alento, ou onde sentiu gratidão por algum gesto, mesmo que pequeno. Todas as pessoas podem escolher ver a felicidade e vivê-la, a questão é que nem todas querem perder tempo a olhar para ela porque estão demasiado ocupadas a correr para a busca “da felicidade plena”. E se perdem sem saber no caminho por terem parado para ler bem o mapa. 

Eu própria às vezes fico com pressa. Uii muitas vezes tenho pressa. Talvez por isso me tenha educado tanto a olhar para as pequenas coisas, a encher o coração de pequenos gestos, a gerar tempo para dar de mim e a parar tudo quando a pressa está a tomar conta dos meus dias. Talvez por ser tão apressada, desacelerei muito na vida. Descobri no silêncio e na doce espera o meu aconchego, o meu afago. Descobri que a velocidade aumenta quando estamos em fluxo e diminui quando algo precisa amadurecer. Descobri que ter pressa para viver é perder a vida sem saber. Descobri que o amor acaba pq não se nutriu e que a memória não ficou porque não houve tempo para a guardar. Descobri que o tempo se torna nosso amigo quando aproveitamos o que temos em vez de desdenhar lá à frente o que não sabemos se um dia será nosso. Descobri que a vida ganha forma quando nos embalamos nela e seguimos ao seu ritmo sem demoras. Não há felicidade que justifique a pressa, nem pressa que traga a felicidade. 💕

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#day103 – apetece-me abraçar o Rio

Apetece-me abraçar o Rio como se abraça uma alma que se ama. Apetece-me encher de beijos esta vivência diária de lufadas de ar fresco e de mar profundo. Apetece-me dizer que por por cá não há só dilmas nem só violência. Que por cá continua um país maravilhoso de gentes fantásticas. Continua o meu fascínio pelo ritmo no pé e fome de viver melhor. Continua uma beleza natural que já não lembrava e um aroma inquietante de se querer saber o futuro. Um entusiasmo latente de quem gosta da entrada que tem na mesa e espera pelo prato principal surpresa do chef. Nem tudo são rosas. Mas vejo muito amor e humanidade por cá. Alguns desiquilibrios típicos de cariocas que querem viver 10 vidas numa, mas, havendo centro, dá para encaixar novidades enquanto se mantém o foco. Quero com isto dizer que AMO o Rio. Reforço os meus votos. E ao que parece, estou para ficar por uns tempos ❤️

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#day87 – Rio de Janeiro

Rio de Janeiro… Já não me lembrava que morria de saudades tuas. Já não sabia como eras. Já não te reconhecia nas fotos. Já não passavam por mim lembranças para além das vagas. Já não mais me fazias suspirar como dantes. 

Até te ver de novo. Até te sentir nos pés e nos lábios, até voltar a sentir os teus cheiros. Até me perder de novo nas tuas entranhas. 

Rio, não sabia que te amava assim. De forma tão selvagem. Não sabia me encontraria aqui. Ctg. Rio meu que andavas perdido nas minhas memórias. Faz-me viajar em ti de novo. Não preciso de me encontrar mais, a não ser a me perder de novo em amores, por ti. ❤️

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#day86 – florestas…

E quando se pode correr para o centro da cidade e se corre para o centro da floresta? E quando o ímpeto de pôr os pés no chão é maior do que o espectável? Às vezes sinto-me indissociada da floresta ao ponto de a encontrar por aí “sem querer”. Como se fosse tão natural encontrá-la em todo o lado… A toda a hora… 🍃🌱

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#day82 – em casa dos avós. 

Em casa dos avós, lembra-me a minha infância, corria sem moderação. Empoleirava-me nas árvores com a certeza que chegaria ao céu. Aleijava-me com a segurança que a vovó sempre estaria lá para cuidar da ferida. Não havia amparos. Havia quedas na poça e bicicletas com rodas furadas e às vezes terra nos dentes. Haviam os cães que acompanhavam nos trilhos e os 46 animais de estimação (sim, eu contava-os e sabia os nomes de todos). Havia sempre espaço para mais um gato abandonado e uma galinha poedeira. Havia sempre lanches nas copas frondosas e ninguém estranhava que eu passasse horas em cima dos ramos. Muito menos alguém me mandava descer. Haviam clubes para angariar dinheiro para se tratar dos animais abandonados geridos por crianças e ninguém sabia o que era produzir lixo nos piqueniques. As frutas comiam-se directamente da origem pq tóxicos eram uma realidade distante. O bisavô puxava o fio que fazia tocar um sino na cerejeira para que os pássaros deixassem alguma fruta para nós, mas nunca me falaram mal dos pássaros que “roubavam” mas sim, para gerirmos as produções para que desse para todos. E esses todos incluíam os vizinhos com quem se faziam trocas. A bisavó, tirava o fio ao feijão verde, e triturava a couve para o caldo verde. O avó tratava da lenha para o inverno apenas com as podas. Não se abatiam árvores em vão. Isso nem nos ocorria. Chegava cheia de terra a casa, mas nunca me sentia suja. A terra era tida como viva e não como sujeira. Raramente tinha uma roupa que não estivesse furada por uma qq brincadeira e nunca ninguém me fazia notar isso. Mas notavam se eu estava triste pois havia sempre tempo para se dar colo. Nunca precisei de brinquemos nem actividades para me “estimular” pq a natureza sempre foi a minha melhor televisão e canal de entretenimento. Nunca me disseram que era hiperativa pois no limite estava sempre ocupada com os meus amigos reais e imaginários dentro e fora de casa. No meu mundo as vacas eram roxas e a mãe não se importava com isso. Às vezes o sol era quadrado e nascia as 7da tarde pq eu queria “acordar” nas tendas que montava debaixo da mesa e ninguém se incomodava com a confusão instalada para jantar. Os tempos eram outros e não se pode comparar e todos damos o nosso melhor para viver “na cidade” com bem-estar. Mas podemos relembrar-nos da nossa infância e permitir que as nossas crianças tenham referências de contacto marcantes para que quando se tornem adultas, ajam com a Natureza com o mesmo respeito e admiração que se aje com os nossos avós. Só assim teremos a certeza que habitaremos num ecossistema compreendido, respeitado, amado e com futuro limpo para a humanidade. 🌱

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#day81 – o sino 

Ouve-se ao fundo o sino, como se ele não conseguisse conter as suas badaladas. Ouve-se ao fundo a voz, do vento que passa na torre anunciada. Ouve-se ao longe o piu do pássaro que quase naufraga. E mais perto ouve-se a luz, por entre os olhos que trespassa. 

Obrigada Portugal. Morro de saudades tuas a toda a hora ❤️

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#day80 – quando se tem chão. 

Há vários tipos de chão. Chão de terra, chão de mar, chão ar. Há chão que não parece chão. Há chão que o é sem o saber. Há chão para passear. Mas bem-dito chão que se sabe chão. Esse é o mais difícil de encontrar. Por isso gosto de chão de pedra. Esse que é tão sólido que se reconhece assim. Nessa confiança que não se sabe de onde vem, mas ele sabe que é esse chão. Ele dá-se a confiar. Bem aventurados os que têm esse chão. E sabem. Quando o chão é chão a sério, reconhece a sua função de fazer erguer cidades ou património. Sabe deixar erguer sonhos. Esse chão é sábio. Porque sabe o que trás. Sem que ninguém se dê conta. Esse chão sabe levar. E trazer. 

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#day 61 – Quando o inverno chega. 

Quando o inverno chega, chega tb a manta, o fogo e a retirada. Chegam as pinhas, o crepitar e o vinho quente. Chega o abraço mais forte, o vapor no ar que se vê e as badaladas das vilas de natal deste mundo. Chegam as folhas que já não se veem, e os mares onde já não se mergulha. Chegam as famílias e as lambidelas dos demais. Chega-se ao país natal e fica-se por lá. Chega-se ao fundo de nós e não se sai de lá. Chega-se à tanto lado que se esgotam as possibilidades de se estar, apenas estar. Pois as luzes são tantas que apenas no branco me importo em ficar. Feliz natal a todos! 💕

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#day60 – nos fóruns da vida

Há quem diga que vivemos em gaiolas. Que a media nos comanda os dias e a informação. Há quem fale em manipulações e interjeições acumuladas. Há quem fale de tanta coisa e não diga nada. Absolutamente nada. Num vazio de conteúdo tão cheio de si mesmo que se perde em abstrações sem valor. 

Prefiro contar com o “pelo na venta” e o murro na mesa. A acção com discernimento e a verdade entalada na garganta. Prefiro contar com o mundo e a forma como ele nos fala. Prefiro contar mais com a simbologia da linguagem corporal do que com as palavras soltas que para aí andam. Gosto de coisas inteiras, inteiras pq se foram colando os pedaços. Não porque nasceram perfeitas. Gosto da beleza desses pedaços soltos mas colados. Desses vectores entrelaçados. Dessas setas a apontar para o que importa. Essa mão a mostrar o caminho. Dada. Sempre dada. Gosto essencialmente dos espaços abertos que dão azo a encontros inesperados. A conversas que não podiam ser adiadas. Tão urgentes que se pára o tempo nelas. Que se para tudo. E se recomeça. 

Já agora, acerca do tempo: que se aproveite o tempo para fóruns e caminhadas sem destino. Que se aproveite o tempo para amar sem condições. Que se aproveite o tempo para se estar e se ser. Pq dizem que o tempo não volta mais, e se gasta na vida. Dizem que se gasta a vida com coisas poucas. Pequenas. 

Então que se viva do grande. Que se viva do tempo e do que ele nos traz em oportunidades para viver. Assim. Desmesuradamente.