Daily Life · Flow · revelation

#day33 – more about that Center

No #day18, tive uma profunda revelação que tem mudado mesmo a minha vida e a forma como vejo o mundo. Muito se fala acerca de gerar paz interna e de se transformar emoções e sentimentos, mas normalmente é tão abstrato que precisamos perceber exactamente o “COMO”.

Pois o como vem com a prática, com a experiência pessoal e pode (e deve) variar de pessoa para pessoa. Mas deixo-vos com uma das fórmulas que funcionam para mim e me tem trazido de volta ao caminho:

  1. Quando o tumulto vem…: as sensações podem variar de um ligeiro desconforto até um ataque de pânico instalado.  Um aglomerado de pensamentos ocupa todo o espaço existente na nossa cabeça e começa a contar-nos histórias “não sou capaz”, “vou ser traída”, “preciso de eliminar esta situação da minha vida”, “essa pessoa nunca vai mudar”, “sinto-me julgada ou sei que estou a julgar alguém”, “tenho mais capacidade/sou melhor que pessoa x”, “não sou ouvida”, “não posso pagar/fazer isto”. Estes pensamentos são “FALSOS”. São histórias sem fundamento, ou fundamentadas em traumas passados ou crenças muito bem instaladas no nosso inconsciente. São estas histórias que nos governam os dias e as decisões se as deixarmos controlar as nossas acções. São histórias que se repetem constantemente em loops mentais que desgastam e corroem por dentro. Costumo distinguir este tipo de pensamentos precisamente assim: se me está a corroer por dentro, é um loop mental que eu não devo alimentar. Tais loops, são por vezes tão insuportáveis que levam pessoas até ao suicídio ou em menor escala, ao afastamento de pessoas que deveriam na verdade, estar a convergir. Pois sugiro-vos uma nova forma de lidar com tudo isto:
  2. … levar a ATENÇÂO para o Centro…: isto quer dizer que decido não alimentar mais determinados pensamentos que me servem. E decido deixar ir essas histórias. É importante mencionar que essas histórias até podem ser bastante válidas e reais. Traições descobertas, roubos efectivados, ou faltas de respeito assumidas. O que está em causa aqui não é quem tem ou não razão mas sim o nosso crescimento interno para que possamos conscientemente regressar ao nosso local de paz sem sermos engolidos pela “razão” que temos no que estamos a viver. O facto de decidirmos transformar as nossas emoções é um passo de autoresponsabilização que apenas a nós nos diz respeito. O que o outro fez ou deixou de fazer é da sua inteira responsabilidade e não nos diz respeito. Diz sim, apenas a parte que nos toca e mexe connosco. Ai sim, está a nossa ferida. Ai sim, devemos levar a atenção para o centro para perceber se o nosso coração nos conta a mesma história trazida pelos pensamentos. Então levar esta atenção para este centro (que no meu caso é o meu coração, um lugar interno por tras do externo) e praticar a atenção ai. Ao início é complicado não alimentar o pensamento que nos distrai, mas basta apenas voltarmos a esse lugar assim que nos apercebemos que já lá não estamos. A isto, chama-se meditar (posso num próximo post trazer algumas técnicas de meditação para ajudar :). Repetir até conseguirmos estar nesse local para:
  3. … TRANSFORMAR com PRESENÇA…: este é o passo mais difícil do processo mas perfeitamente exequível. Falo na primeira voz e sei, por experiência, que é possível transformar crenças super enraizadas em nós em apenas 10 mins. Claro que a qualidade da presença aplicada, depende muito do trabalho já feito por cada um de nós e da prática adquirida de uma meditação sólida que vem com isso mesmo: Prática. Mas faz-se da seguinte forma: quando o loop mental já não nos controla (ajuda muito deixarmos a necessidade de ter razão, e focarmo-nos na transformação da sensação mais do que na transformação da situação), então conseguimos estar em presença total no nosso centro. Relembro que só é possível transformar uma emoção quando deixamos de alimentar o antigo e libertamos abrindo espaço para o novo. Essa presença (ie, entre outros, capacidade de transformação) que é altamente qualitativa (ie, sabem aquelas pessoas que conseguem ser tão presentes que parecem que nos ouvem com o corpo e alma toda? É essa a qualidade de presença que podemos (e devemos) desenvolver para nós mesmos e qui ça para os outros), encontra um encaixe nesse centro identificado e ali fica. Por magia, tornamo-nos única e exclusivamente observadores do processo e testemunhamos a transformação da emoção na sua integra. Na verdade, devemos lá ficar até o coração estar totalmente aberto de novo e podermos respirar de peito cheio outra vez. O que vamos sentindo é a alteração da “textura” desse centro de “rugosa” e “apertada” (por exemplo), para uma abertura total do coração e uma sensação de alívio indescritível. Eis que somos inundados de paz outra vez. Este processo pode ser instantâneo ou durar dias. Depende muito da capacidade de cada um e da quantidade de “lixo emocional” a ser transformado. Mas com prática, vai sendo cada vez, milagrosamente mais rápido.
  4. … Reconhecer a nova História e o que está mudado…: quando chegamos de novo à nossa paz interior, podemos observar de novo toda a história e perceber o que ela nos diz agora. Normalmente descubro versões totalmente novas e leio a situação sob ângulos for das minhas projecções pessoais e crenças. Fico muito mais aberta à compreensão da história do outro (independentemente de eu continuar ou não com a razão), e como que por magia, a raiva, ou qualquer outro sentimento que existia dissolveu-se ao ponto de deixar de ser um gancho emocional para mim. De repente a história de sempre passa a ter uma versão totalmente diferente (ou não). Mas deste novo lugar de amor e paz, voltamos ao caminho pessoal. Eliminamos em nós crenças e limitações que já não nos servem e respeitamos o caminho do outro quer o nosso julgamento queira que esse “outro” agisse de forma A, B ou C. Isso já não nos diz respeito. Interessa-nos e podemos apenas limpar o nosso próprio caminho e devemos fazê-lo diariamente para que as falsas histórias e projecções mentais não dominem as nossas acções e possamos assim, ir além do “karma”, “limite” ou o que quer que queiramos chamar o que nos detém de estar em paz e amor todos os dias.
  5. … e, observar as transformações do que se passa a Manifestar: depois de tudo, podemos começar a verificar as alterações no nosso exterior da seguinte forma:
    1. a situação / pessoa que nos provocou o tumulto sai na nossa vida;
    2. a situação / pessoa que nos provocou o tumulto deixa nos afectar / mexer connosco emocionalmente; e/ou
    3. deixa de nos fazer sentido perpetuar situação ou manter relação com pessoa A, B ou C, e tranquilamente percebemos que já não estamos ligados e a situação ou relação se dissolve gerando afastamento da nossa parte sem grande esforço ou necessidade de corte drástico.

Em suma, aqui fica um possível COMO transformar as vossas vidas. Em breve, deixarei mais detalhes de aprofundamento desta prática. Tb aceito sugestões do que funciona para vocês. Beijos mil

 

Fonte da imagem: http://upliftconnect.com/the-head-to-the-heart/

 

revelation · yoga

#day18 – collect yourself in your center

Tenho dado por mim outra e outra vez perdida em pensamentos e loops mentais. Há muito tempo que tal não me acontecia. Tive que verdadeiramente fazer uma pausa para perceber o que se passava e como poderia sair daquele local que me apertava o coração e me fazia chorar horas a fio. A imagem visual que tenho é cada um dos 1000 pensamentos por segundo a apontar-me o dedo, a fazer-me tomar decisões com base no desespero e com tantos julgamentos que passei algumas noites sem conseguir dormir convenientemente. Quando tal acontece é preciso parar para analisar. Mas não é analisar com mais um pensamento, com mais um julgamento ou com mais uma opinião externa deste ou do outro amigo. É analisar com o coração.

A cada pensamento sentia-me tão fora de mim e tão dispersa que a única coisa que consegui verdadeiramente fazer foi reunir-me no meu centro. Aquele local de paz que é tão importante conhecermos dentro. Levar a atenção para esse local e simplesmente ficar em presença lá, é o suficiente para dissolver a tormenta que vai na cabeça. Tão simples quanto isto.

“Reúne as tuas partes dispersas em cada um dos teus pensamentos e regressa ao centro. Fica em presença até todo o tumulto se dissolver. Fica até o teu coração te mostrar o verdadeiro caminho”.

Esta reunião no nosso centro, é apenas uma questão de prática. Por mais difícil que pareça ao início, torna-se cada vez mais fácil e rápido. Esta capacidade que se vai gerando de regressar ao centro, passa a comandar as nossas acções de um sítio mais seguro e verdadeiro.

Na maior parte das vezes, reagimos a tudo e a nada. Somos frutos de acção-reacção e passamos a ser marionetas da nossa própria vida. Voltar ao centro, é cuidar muito mais de nós, e perceber que independentemente da “razão” que possam ter esses pensamentos, nem sempre eles nos trazem a visão do todo. Acredito piamente que projectamos muito do que vai dentro, e colocamos nos ombros das outras pessoas, as nossas dificuldades e julgamentos. Insistimos nos filtros que nos cegam e partimos por ai cheios de “razão” e “auto-conhecimento”. Pois relembro-me todos os dias que opiniões são apenas isso. Opiniões. As nossas e as dos outros. E não passam de projecções mais ou menos acertadas acerca desta “realidade” que nos rodeia.

Que não se permita mais que as nossas projecções nos guiem para uma infelicidade sem fim, e que nos permitamos a voltar sempre ao centro por via das dúvidas. Deixar ir todos os pensamentos e ir apenas ao centro. Estar absoluta e incondicionalmente ouvintes e amantes deste lugar. E depois observem, como se de fogo de artifício se tratasse, o coração a abrir de novo e a contar-nos uma outra história, totalmente diferente, totalmente nova, do nosso próprio percurso. Permitam ainda que essa nova história se manifeste das formas mais obvias ou mais singelas e vos surpreenda com uma realidade não antes imaginada. A realidade da vossa nova vida. ❤

Deixo-vos com um video que adoro da Meghan e que tem muito de Heart Opening ❤