#day350 – Into the heart (1)

Emocionei-me. Assim que o avião descolou. Há tanto que queria voar para terras insulares. Senti o futuro a aproximar-se. Ainda há umas horas queria desistir de ir. Tenho sempre esta angústia antes de partir para alguma viagem que no fundo sei que será transformadora. A mente sempre arranja forma de tentar fazer-nos desistir de ir…

#day349 – de… vagar

Haja vagar. Para se encontrar. O mundo. É fácil nos perdermos no urgente. No ram-ram do dia-a-dia. Então e o mundo? E a vida? E o encantamento do olhar de uma criança pelo que é novo? Criar. Fazer. Agir. Não basta. É preciso Estar. Ser. Acontecer. A vida por entre os dedos passa. Quando se…

#day348 – 🌊

Ruge lá fora o mar. Agreste. Há um silêncio que não consigo explicar. Por entre os uivos das ondas na rocha. Consigo eu. Por fim. Descansar. Muito de mim se encontra quando perco o rumo e a direção. Gosto de não ter azimutes. Gosto dos caminhos esguios da solidão. Sou ermita de natureza. Gosto de…

#day347 – wild

Hoje quero cru. Primitivo. Quero terra molhada por entre dos dedos. Quero o cabelo enrodilhado expelindo os medos. Quero a sopa fria. O mar quente. Quero o desejo de voltar a mim. Ardente. Quero o selvagem que de mim não sai. Quero o todo de ter nada. E com isso me contentar. Quero o relento….

#day346 – menos

Menos gera-me liberdade. Gosto de vidas simples. Espaços minimalistas. Branco nas cores. Gosto do vazio de novas possibilidades. Gosto de espaços amplos para percorrer a passos largos. Gosto de luz. Sem paredes. Sem amarras. Não fui feita para muita coisa. Apesar de o muito me perseguir em bênçãos. É no muito que me alimento. Mas…

#day345 – água

Sou quase toda água. Em terra. Já fui muito ar. E continuo a alimentar-me. Das ideias. Mas tenho o fogo. De concretizar. Com o pé no chão e o coração cheio. Vivo no alto dos saltos. E na base do vale. Vivo no solo. Voo acordada. Só não salto para a água. Quando me falta…

#day343 – profundidade

Adoro o brilho das pessoas profundas. Das que não tiveram medo de ir às entranhas. Das que nunca ficaram à porta dos próprios medos. Gosto de almas grandes e preconceitos pequenos. Gosto dos sorrisos rasgados de quem se aceita como é. Adoro o desconforto que sinto quando me ligo a alguém pelos olhos. Que me…

#day342 – toca (recolhimento)

O mundo exige. E eu reservo-me. Ao direito de toca. Nada pode mexer na nossa paz. E é quem faz. Que mais precisa de toca. Pouco em mim cede à pressão. Porque sei que é a respirar. Que me retiro do esforço em vão. Dantes não sabia descansar. Puxava pelas mangas e arregassava os desejos….

#day341 – um Santo Natal

Adoro o Natal. Porque o mundo se mobiliza para se passar tempo em família. Porque tudo fica vazio se não tivermos quem amamos ao nosso lado. Esta altura do ano que puxa à emoção. Que faz a lágrima cair de gratidão. Por nos termos uns aos outros. Não gosto nada dos presentes “obrigatórios” que se…

#day340 – não, obrigada.

Honro todas as vezes em que disse não. Quando esperavam um sim. Que acreditei mais na minha verdade do que me deixei levar pela expectativa do outro. Que demarquei mais o meu limite do que me perdi no vai-vem de outrem. Sou fã de um não bem colocado. De uma barreira a proteger o que…

#day339 – pessoas que são portos de abrigo

Sou das pessoas em quem confio. Que me fazem sentir eu. Que não me deixam margem para inseguranças. Porque me fazem sentir que por algum motivo, sou especial para elas. Todos temos estas pessoas à nossa volta. Todos temos esse alguém que é o colo quando precisamos. O afecto quando queremos. E o amor quando…

#day338 – não sou de metades

Sempre corto com as relações que não me fazem sentir inteira. Há quem só saiba dar pedaços. Há quem não saiba fazer melhor e há quem nem se aperceba do pouco que se entrega. E há quem aceite receber metades. Porque não sabe o que é o inteiro. E vive bem de pedaços. Como se…